A vida na Terra poderia ter acontecido duas vezes. Estudo questiona uma das teorias mais antigas da biologia
A origem da vida na Terra pode ser ainda mais complexa — e surpreendente — do que os cientistas imaginavam.
A origem da vida na Terra pode ser ainda mais complexa — e surpreendente — do que os cientistas imaginavam. Um estudo publicado na Science Advances, liderado por pesquisadores da Universidade Heinrich Heine, em Düsseldorf, propõe que bactérias e arqueas podem ter desenvolvido de forma independente os mecanismos necessários para se tornarem organismos autônomos.
A hipótese não afirma simplesmente que existiram duas “vidas” totalmente separadas, mas sugere que a transição para células livres pode ter acontecido duas vezes.
O que os cientistas descobriram sobre a origem da vida?
Segundo os pesquisadores, bactérias e arqueas teriam seguido caminhos independentes depois de compartilharem componentes de um sistema ancestral associado ao chamado LUCA, o Último Ancestral Comum Universal.
A ideia é especialmente provocadora porque a biologia tradicional costuma representar a história da vida como uma grande árvore com uma origem comum. O novo estudo questiona justamente essa interpretação para os primeiros estágios da evolução.
Como a vida poderia ter surgido em dois momentos?
O ponto central da pesquisa está no metabolismo, conjunto de reações químicas indispensável para uma célula obter energia, produzir moléculas e continuar funcionando.
O problema é que essas reações dependem de enzimas, enquanto as próprias enzimas são produzidas pelos sistemas celulares. A hipótese proposta é que essa barreira pode ter sido superada de maneira independente pelas duas linhagens.
A partir de uma base metabólica ancestral, bactérias e arqueas teriam desenvolvido suas próprias soluções para alcançar o estágio de organismos capazes de viver de forma autônoma.
Confira no vídeo abaixo do canal “Toda Matéria” algumas das principais teorias sobre a origem da vida na Terra.
Quais pistas sustentam essa hipótese surpreendente sobre a origem da vida?
Os pesquisadores defendem que determinados aspectos da evolução metabólica são mais compatíveis com duas transições independentes para a vida livre.
Entre os pontos que ajudam a explicar a proposta estão:
Isso cria um cenário diferente do modelo simplificado de uma única origem celular. As duas linhagens poderiam ter compartilhado uma base ancestral e, posteriormente, desenvolvido de maneira independente os mecanismos necessários para sobreviver como células livres.
A árvore da vida pode precisar ser revista?
Se a hipótese for confirmada por pesquisas futuras, a representação tradicional da história da vida poderá ganhar uma interpretação mais complexa.
Em vez de imaginar que todas as características de organismos celulares surgiram em uma única transição, os cientistas teriam de considerar caminhos evolutivos independentes.
As consequências também ultrapassam a própria história da Terra.
Se a origem da vida puder ocorrer mais de uma vez sob determinadas condições, a possibilidade de processos semelhantes acontecerem em outros ambientes do universo se torna uma questão ainda mais interessante para a ciência.

Por que essa descoberta pode mudar a busca por vida fora da Terra?
A hipótese não prova que a vida surgiu duas vezes. Ela apresenta um modelo que ainda precisa ser testado, comparado com outras explicações e sustentado por novas evidências. Esse ponto é fundamental antes de transformar a possibilidade em fato científico.
Mesmo assim, a pesquisa abre uma pergunta poderosa: se a vida conseguiu aparecer por caminhos independentes na Terra, quão raro realmente é o surgimento da vida no universo?
É justamente essa questão que pode manter a origem da vida no centro das próximas investigações em biologia evolutiva e astrobiologia.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)