Eleito 19 vezes o melhor destino do Brasil, esse município tem os rios com as águas mais transparentes do país
A natureza ajuda a explicar por que esse destino segue tão admirado
Poucos destinos turísticos no mundo decidem por lei quantas pessoas podem entrar em cada atração por dia. No sudoeste do Mato Grosso do Sul, Bonito transformou esse controle em norma municipal e construiu sobre ele a reputação que lhe rendeu 19 títulos de melhor destino de ecoturismo do país e o primeiro certificado mundial de carbono neutro concedido a um destino do gênero.
Por que os rios da Serra da Bodoquena são tão transparentes?
A resposta está na rocha. Conforme a Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico de Bonito (Sectur), os rios da região nascem em áreas de calcário muito puro e saem do solo com turbidez quase nula, sem recolher argila pelo caminho, o que explica a água bicarbonatada e cristalina que virou marca do lugar.
Esse mesmo calcário constrói o cenário. Ao longo dos leitos se formam as tufas calcárias, depósitos minerais que endurecem dentro do rio e criam barragens naturais, cachoeiras em degraus e piscinas rasas. O Parque Nacional da Serra da Bodoquena, sob gestão do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), protege parte dessas nascentes e alcança também Jardim, Bodoquena e Porto Murtinho. Bem ao lado corre a planície inundável que define outras cidades sul-mato-grossenses com território dentro do Pantanal.

O que sustenta 19 títulos de melhor destino de ecoturismo do país?
A contagem é longa e recente. Segundo a Prefeitura Municipal de Bonito, o município venceu pela 19ª vez a categoria no guia O Melhor de Viagem e Turismo, da Editora Abril, com 17,6% dos votos, à frente de Fernando de Noronha, com 11,7%, e de Foz do Iguaçu, com 11,5%.
O reconhecimento internacional veio por outro caminho. De acordo com o Ministério do Turismo, a cidade foi reconhecida como o primeiro destino de ecoturismo carbono neutro do mundo, certificada pela empresa Green Initiative, acreditada pela Organização das Nações Unidas (ONU), a mesma responsável pelo processo que tornou Machu Picchu o primeiro destino turístico carbono neutro do planeta. O fluxo acompanha o prestígio: a Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS) registrou 247.049 visitantes entre janeiro e outubro de 2025, alta de 3,28% sobre o mesmo período anterior.

Como funciona a lei que limita visitantes nos atrativos?
O instrumento se chama Voucher Único e nasceu dentro do Código Tributário do município, a Lei Complementar nº 37, de 12 de dezembro de 2000, aprovada pela Câmara Municipal. Na prática, o passeio precisa ser emitido por agência local credenciada, com data, horário e vaga definidos antes da chegada do visitante.
O efeito é duplo. Cada atrativo opera dentro de uma capacidade de carga, o número máximo de pessoas que um rio, uma trilha ou uma gruta suporta por dia sem perder qualidade ambiental, e o sistema ainda alimenta as estatísticas oficiais de visitação. Soma-se a isso a Taxa de Conservação Ambiental (TCA), fixada em R$ 15,00, valor que a Prefeitura de Bonito aponta como um dos mais baixos praticados no país. Quem viaja sem reserva antecipada costuma encontrar os passeios mais concorridos esgotados.

Quais passeios formam o roteiro clássico da capital do ecoturismo?
A cidade fica a cerca de 300 km de Campo Grande e concentra dezenas de atrativos credenciados em fazendas e reservas particulares, quase todos na zona rural. Confira abaixo os pontos que estruturam a maioria dos roteiros:
- Gruta do Lago Azul: caverna com lago subterrâneo tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1978, onde foram encontrados fósseis de mamíferos pleistocênicos, segundo o Monumento Natural Gruta do Lago Azul.
- Flutuação no Rio da Prata: trilha pela mata ciliar até a nascente e descida com máscara e snorkel entre cardumes de piraputanga e curimbatá.
- Rio Sucuri: um dos trechos mais fotografados da região, com água esverdeada e vegetação aquática visível do início ao fim do percurso.
- Abismo Anhumas: descida de 72 metros por uma fenda na rocha até um lago cristalino cercado de formações calcárias, com treinamento obrigatório no dia anterior.
- Boca da Onça: conjunto de cachoeiras no cânion do rio Salobra, com a queda mais alta do estado e rapel em plataforma suspensa.
- Buraco das Araras: dolina de paredões avermelhados no vizinho município de Jardim, ponto de observação de araras ao entardecer.
Outros passeios credenciados aparecem na relação oficial da Sectur, que reúne grutas secas, balneários e trilhas de observação de fauna.
Quem sonha em explorar as águas cristalinas do ecoturismo no Brasil, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Num Pulo, que conta com mais de 101 mil visualizações, onde Léo e Paula mostram a flutuação no Rio Sucuri, no Rio da Prata e a Gruta do Lago Azul em Bonito – MS:
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Como é o clima de Bonito ao longo do ano?
O calendário local se divide em duas estações bem marcadas, e é a chuva, não o frio, que muda a paisagem. Veja abaixo como o tempo se comporta em Bonito durante o ano:
Condições podem variar de um ano para outro por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, que alteram o regime de chuvas no Centro-Oeste. Consulte a previsão atualizada no Climatempo antes de fechar as reservas.
Um modelo de turismo que virou referência mundial
O que impressiona no município sul-mato-grossense não é apenas a água que deixa os peixes à vista, mas a decisão de crescer devagar em um setor que costuma correr no sentido oposto. Limitar visitantes, tabelar passeios e medir emissões foram escolhas que renderam títulos nacionais e um selo que nenhum outro destino de ecoturismo tinha recebido antes.
Você precisa reservar alguns dias para conhecer Bonito e entender, dentro da água, por que a Serra da Bodoquena virou parâmetro de turismo responsável no Brasil.
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