10 anos respirando gasolina todos os dias: relatório forense confirma a causa dos problemas de saúde dos moradores de Coria del Río, Sevilha
A suspeita é de que combustível tenha chegado ao subsolo por meio de tubulações danificadas, alcançando o terreno e as águas subterrâneas.
Cerca de 4 mil moradores do bairro Guadalquivir, em Coria del Río, na província espanhola de Sevilha, convivem há aproximadamente uma década com o cheiro persistente de gasolina e suspeitas de contaminação por hidrocarbonetos.
Laudos do Instituto de Medicina Legal de Sevilha, incorporados à investigação judicial, apontam que sintomas apresentados por parte dos moradores são compatíveis com exposição prolongada a hidrocarbonetos aromáticos, enquanto a origem e a responsabilidade pela contaminação continuam sendo apuradas.
O que teria provocado a contaminação em Coria del Río?
Segundo uma denúncia apresentada pelo Ecologistas en Acción, o problema teria começado em 2017 após um vazamento de combustível associado à estação de serviço Zamarrilla.
A suspeita é de que combustível tenha chegado ao subsolo por meio de tubulações danificadas, alcançando o terreno e as águas subterrâneas.
A entidade ambiental afirma que a situação não foi totalmente solucionada. Moradores continuam relatando cheiro de gasolina e temem que a população permaneça exposta em uma área potencialmente contaminada.
Quais problemas de saúde foram relatados pelos moradores?
Cerca de 70 famílias participam formalmente do processo e, segundo os peritos, apresentam sintomas compatíveis com a inalação prolongada de determinados hidrocarbonetos aromáticos. Entre os relatos estão problemas respiratórios, tonturas, dores musculares e alterações neurológicas.
Os moradores também associam à possível contaminação casos mais graves registrados na comunidade. No entanto, a relação entre doenças específicas e a exposição ambiental ainda está sendo analisada dentro da investigação judicial.
Os principais problemas mencionados pelos moradores e pela associação local incluem:
- Sintomas respiratórios persistentes;
- Tonturas e alterações neurológicas;
- Dores musculares;
- Relatos de casos de leucemia e tumores;
- Alterações de saúde atribuídas à exposição prolongada.
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O que dizem os laudos e a investigação judicial?
Para o Ecologistas en Acción, os novos laudos representam um avanço importante porque dão respaldo técnico a denúncias feitas pelos moradores durante anos.
A organização também cita um relatório da Fiscalía General del Estado, elaborado em dezembro de 2024 a partir de 65 documentos técnicos e periciais.
O material é utilizado pelos ambientalistas para sustentar a gravidade da situação, mas a investigação ainda precisa determinar a extensão da contaminação, sua origem exata e eventuais responsabilidades.
Quem está sendo investigado por causa do cheiro de gasolina?
Em 2020, dois administradores e o gerente da estação de serviço foram detidos sob suspeita de crimes relacionados ao meio ambiente e aos recursos naturais, diante da possibilidade de impactos sobre a população. Os investigados negaram que os tanques da instalação tivessem apresentado vazamentos.
Eles também afirmaram que um sistema de prevenção contra infiltrações de combustível no subsolo havia sido instalado no ano anterior.
O processo permanece em tramitação e envolve diferentes órgãos públicos e entidades responsáveis pela gestão ambiental, hídrica e de serviços da região.
Entre as instituições que participam do procedimento estão:
Por que a exposição a hidrocarbonetos e ao cheiro de gasolina preocupa tanto?
Substâncias presentes na gasolina e em outros produtos derivados de petróleo podem afetar diferentes sistemas do organismo quando há exposição prolongada. Entre as áreas potencialmente afetadas estão o sistema nervoso central, o aparelho respiratório e o sistema imunológico.
No caso de Coria del Río, a preocupação aumentou diante da duração dos relatos e da existência de documentos periciais incorporados ao processo.
Agora, a Justiça deverá esclarecer se a contaminação realmente provocou os impactos alegados, qual foi sua extensão e quem poderá ser responsabilizado.
Enquanto a investigação continua, moradores da barriada Guadalquivir seguem cobrando respostas sobre um problema que, segundo seus relatos, já faz parte da rotina da comunidade há cerca de dez anos.
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