A moto de 420 cavalos que usa uma turbina Rolls-Royce de helicóptero, funciona com diesel e ganhou fama por derreter para-choques no trânsito
A MTT 420RR transmite a força da turbina para a roda traseira e alcança uma velocidade anunciada de até 439 km/h
Ao ser ligada, ela não produz o ronco grave de uma motocicleta esportiva. O som começa como um assobio agudo, cresce rapidamente e lembra uma aeronave preparando-se para decolar. Sob a carenagem de fibra de carbono existe uma turbina criada para helicópteros, capaz de girar a mais de 50 mil rotações por minuto.
Como uma fabricante de turbinas decidiu colocar um motor de helicóptero em uma motocicleta?
A MTT 420RR foi desenvolvida pela Marine Turbine Technologies, empresa norte-americana especializada em adaptar turbinas a aplicações terrestres, marítimas e industriais. A ideia começou com a Y2K Superbike, apresentada em 2000, e avançou até a versão Race Ready, equipada com uma unidade Rolls-Royce M250-C20B semelhante às utilizadas em helicópteros Bell 206.
A Marine Turbine Technologies fabrica cada unidade praticamente sob encomenda, utilizando estrutura de alumínio, carenagens de fibra de carbono e componentes especiais para suportar o calor, a força e as características incomuns da turbina. A edição comemorativa anunciada em 2025 teve produção limitada a cinco exemplares e preço divulgado de US$ 275 mil.
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Como a moto com turbina transforma 420 cavalos em movimento nas rodas?
Apesar de ser frequentemente chamada de “moto a jato”, a MTT 420RR não avança apenas com o empuxo dos gases lançados pelo escapamento. A turbina funciona como um motor turboeixo: a combustão movimenta os componentes internos, e a energia mecânica é enviada para uma transmissão automática de duas velocidades, que finalmente gira a roda traseira.
- Motor: Rolls-Royce M250-C20B
- Potência declarada: 420 cavalos
- Torque aproximado: 500 libras-pé
- Rotação da turbina: Mais de 50 mil rpm
- Transmissão: Automática de duas velocidades
- Combustíveis: Diesel ou querosene
O vídeo “Worlds Fastest Motorcycles MTT 420RR Turbine Jet Bike”, publicado pelo canal RUSHBIKES, mostra uma unidade personalizada sendo ligada e apresentada em detalhes. O assobio crescente da turbina, a saída de gases pela traseira e as dimensões da motocicleta ajudam a entender por que ela se comporta de maneira tão diferente de uma superbike convencional.
Por que a MTT 420RR não acelera como uma motocicleta comum?
Nos motores de pistões, a resposta do acelerador costuma ser quase imediata, principalmente em motocicletas esportivas. Em uma turbina, existe um pequeno intervalo enquanto os componentes internos aumentam de rotação e passam a produzir mais potência. Depois que a força surge, porém, ela é entregue de maneira contínua, sem as pulsações e vibrações típicas de cilindros trabalhando em sequência.
A ausência de um câmbio convencional também muda a experiência. A transmissão possui somente duas relações automáticas, enquanto a turbina mantém sua rotação em uma faixa muito elevada. A fabricante declara 420 cavalos e aproximadamente 500 libras-pé de torque em uma motocicleta que pesa perto de 227 quilos, combinação que explica a aceleração descrita por pilotos como intensa e progressiva.
Quais números transformam a moto com turbina em uma máquina tão diferente?
A MTT divulga velocidade final limitada pela relação de transmissão em 273 milhas por hora, aproximadamente 439 km/h. Esse número é uma declaração da fabricante, e não deve ser confundido com um recorde obtido em uma pista pública de homologação independente. Mesmo assim, as especificações mostram uma relação entre peso e potência raramente vista em veículos produzidos para circular sobre duas rodas.
A moto também possui partida computadorizada, câmera traseira ligada a uma tela colorida, rodas de fibra de carbono e estrutura tubular de alumínio. O tanque principal comporta aproximadamente 34 litros, acompanhado por uma reserva de cerca de seis litros, necessária para alimentar um motor que originalmente foi desenvolvido para uma realidade muito distante das ruas.
O escapamento realmente consegue derreter o para-choque do carro de trás?
A história ficou famosa por causa do apresentador e colecionador Jay Leno, proprietário de uma MTT Y2K, antecessora da 420RR. Segundo o relato repetido em entrevistas e reportagens, um motorista aproximou demais o carro da traseira da motocicleta em um semáforo, e o calor dos gases danificou ou derreteu parte do para-choque dianteiro.
O episódio não aparece como uma especificação técnica oficial da 420RR nem como um teste padronizado da temperatura do escapamento. Ainda assim, ele é plausível dentro do funcionamento de uma turbina, que expulsa gases extremamente quentes. A própria arquitetura da motocicleta precisa direcionar esse fluxo para trás e para baixo, mantendo a região imediatamente atrás como um ponto que exige distância.

Por que a moto com turbina pode funcionar com diesel e querosene?
Turbinas a gás são menos dependentes de um único tipo de combustível do que muitos motores de pistões. A MTT especifica diesel e querosene para a 420RR, enquanto outras aplicações da empresa também utilizam combustível de aviação e biocombustíveis compatíveis. O princípio permanece o mesmo: o líquido é pulverizado na câmara, queimado e usado para acelerar o fluxo de gases que movimenta as turbinas internas.
Essa flexibilidade, porém, não transforma a 420RR em uma motocicleta prática para o cotidiano. O preço, o consumo, o calor, as dimensões e a resposta particular da turbina fazem dela uma máquina de produção extremamente limitada. Mais do que substituir uma superbike convencional, ela demonstra o que acontece quando uma empresa decide instalar tecnologia de helicóptero entre duas rodas e levar a ideia até as últimas consequências.
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