No interior do Paraná, essa cidade é a Capital Nacional do Leite por lei federal, produz mais que a França e a Nova Zelândia e rivaliza com Estados Unidos e Alemanha faturando mais de R$ 6 bilhões por ano
Tecnologia e cuidado com o rebanho elevam a produção das fazendas
Poucos municípios brasileiros conseguem competir com potências agrícolas europeias em produtividade. A cerca de 150 km de Curitiba, Castro, uma cidade de 73 mil habitantes nos Campos Gerais, concentra a maior bacia leiteira do país, atinge médias de produção comparadas às fazendas dos Estados Unidos e da Alemanha e recebeu, por lei federal, o título de Capital Nacional do Leite. Tudo isso graças a um rebanho holandês trazido nos anos 1950 e a uma cooperativa que hoje fatura mais de R$ 6 bilhões por ano.
Como uma cidade do interior do Paraná passou a rivalizar com EUA e Alemanha em produtividade leiteira?
Segundo o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), o desempenho da produção de Castro se aproxima de líderes mundiais da pecuária leiteira, como Estados Unidos e Alemanha, e supera países como França e Nova Zelândia. A cidade tem cerca de 53 mil vacas ordenhadas, com média de 8,4 mil litros por animal ao ano, quase quatro vezes a média nacional de 2,2 mil.
A produção total ultrapassa 484 milhões de litros por ano, mais do que muitos países produzem inteiros. O município foi oficializado como Capital Nacional do Leite em 26 de dezembro de 2017, pela Lei Federal 13.584, com base em dados do IBGE que já apontavam Castro como líder absoluto da produção nacional. É a mesma força agroindustrial que aparece em outras cidades do interior brasileiro que faturam bilhões exportando o próprio interior.

Por que os holandeses escolheram essa cidade paranaense para fundar uma colônia?
A explicação da produtividade começa na imigração. Entre 1951 e 1954, famílias holandesas fugidas da Segunda Guerra Mundial fundaram a Colônia Castrolanda, nome que une o município ao país de origem. Chegaram trazendo equipamentos agrícolas, maquinário de laticínios e cerca de mil cabeças de gado holandês de alta linhagem genética.
Segundo o portal oficial Viaje Paraná, do Governo do Estado, essa herança transformou a paisagem agrícola dos Campos Gerais em referência sul-americana. A Castrolanda Cooperativa Agroindustrial, fundada em novembro de 1951, fechou 2025 com receita operacional líquida de R$ 6,2 bilhões e resultado líquido recorde de R$ 287,5 milhões, atuando também nas cadeias de grãos, batata e carne suína. O Governo do Paraná já assinou memorando para criação do Parque Tecnológico Agroleite, integrando universidades, centros de pesquisa e startups do setor.
Onde a rota dos tropeiros ainda pode ser vista no centro histórico?
Castro foi fundada em 1778 e é uma das cidades mais antigas do Paraná. Nasceu como Pouso do Iapó, ponto de descanso do Caminho das Tropas, rota que ligava Viamão, no Rio Grande do Sul, a Sorocaba, em São Paulo. Segundo a Secretaria de Cultura do Paraná, o centro histórico foi tombado pelo estado em 1º de dezembro de 2022, preservando remanescentes arquitetônicos da ocupação setecentista.
Em Castro, o Museu do Tropeiro, considerado o primeiro do gênero no país, ocupa um casarão do século XIX no coração da cidade e reúne objetos, roupas e documentos do ciclo econômico que abasteceu com muares e gado o Sudeste brasileiro. A Fazenda Capão Alto, a 13 km do centro, foi a primeira parada dos tropeiros na região e está tombada como patrimônio histórico estadual desde os anos 80.
O que fazer em Castro além de conhecer as fazendas leiteiras?
A cidade combina três heranças em poucos quilômetros: tropeiros, holandeses e natureza dos Campos Gerais. Confira abaixo:
- Centro Cultural Castrolanda: complexo com Memorial da Imigração Holandesa, casa típica dos colonos e loja de queijos gouda e doce de leite artesanal.
- Museu do Tropeiro: primeiro do gênero no Brasil, ocupa um casarão histórico com acervo do ciclo tropeiro dos séculos XVIII e XIX.
- Cânion Guartelá: entre Castro e Tibagi, um dos cânions mais longos do Brasil, com 30 km de paredões esculpidos pelo rio Iapó e desnível máximo de 450 metros.
- Fazenda Capão Alto: primeira parada dos tropeiros em Castro, tombada como Patrimônio Histórico do Paraná desde a década de 80.
- Igreja Nossa Senhora de Santana: uma das mais antigas dos Campos Gerais, com lustres de cristal doados por Dom Pedro II.
- Morro do Cristo: ponto mais alto do perímetro urbano, com vista panorâmica dos Campos Gerais.
Quem quer conhecer a Capital Nacional do Leite, vai curtir esse vídeo do canal Sistema CNA/Senar, com mais de 127 mil inscritos, que mostra a força da produção leiteira de Castro:
Como é o clima em Castro durante o ano?
A cidade fica a cerca de 1.000 metros de altitude, com clima subtropical úmido, verões amenos e invernos frios com geadas frequentes. Confira abaixo:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar até a Cidade Mãe do Paraná?
Castro fica a cerca de 150 km de Curitiba, com acesso pela BR-376 e pela PR-151, em trajeto de aproximadamente 2h30 de carro. A cidade é ponto de entrada para o interior dos Campos Gerais, com fácil conexão a Ponta Grossa e ao Cânion Guartelá.
O aeroporto mais próximo é o Afonso Pena, em São José dos Pinhais, região metropolitana da capital paranaense. De ônibus, Castro recebe linhas diárias vindas de Curitiba, São Paulo e outras cidades do sul do país.
A cidade que virou pedaço da Europa no Paraná
Castro não é destino turístico famoso, mas concentra uma combinação rara no interior brasileiro: produtividade agrícola em nível mundial, uma colônia europeia viva e um centro histórico tombado do ciclo tropeiro. Poucos lugares do país produzem tanto leite por vaca, com tanta genética herdada dos Países Baixos.
Você precisa entrar nos Campos Gerais, provar um queijo gouda feito ali mesmo, entender por que essa cidade paranaense virou referência mundial da pecuária leiteira.
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