Montadora chinesa surpreende e promete fábrica no Nordeste
A chegada de Omoda e Jaecoo com produção local muda o cenário automotivo brasileiro.
As marcas chinesas Omoda e Jaecoo estão se preparando para expandir suas operações no Brasil. Recentemente, foi anunciado que ambas as marcas planejam iniciar a produção local de seus veículos, com a expectativa de utilizar a antiga fábrica da Troller, localizada no Ceará. Essa movimentação faz parte de uma estratégia mais ampla para aumentar a presença no mercado brasileiro e aproveitar as vantagens fiscais oferecidas pela produção local.
A fábrica da Troller, que está paralisada desde 2021, foi adquirida pela Comexport em 2024. A empresa pretende transformar o local em uma instalação multimarcas, permitindo a produção de veículos de diferentes fabricantes. O plano é utilizar o regime CKD, onde os componentes são importados desmontados e a montagem final ocorre no Brasil.
Por que o Ceará foi escolhido para a produção?
A escolha do Ceará como local para a produção dos veículos da Omoda e Jaecoo se deve a vários fatores estratégicos. A localização da antiga fábrica da Troller em Horizonte oferece uma infraestrutura já existente que pode ser adaptada para atender às necessidades das novas marcas. Além disso, a proximidade com portos facilita a importação de componentes e a exportação de veículos.
Outro ponto importante é a intenção da Comexport de iniciar as operações ainda este ano. Com a infraestrutura parcialmente pronta, a empresa pode acelerar o processo de instalação e começar a produção em um prazo relativamente curto. Isso é crucial para as marcas que desejam lançar seus modelos no mercado brasileiro o mais rápido possível.
Quais são os planos futuros para a Omoda e Jaecoo no Brasil?
Os planos futuros para a Omoda e Jaecoo no Brasil incluem a nacionalização de seus modelos, o que deve ocorrer ainda este ano. Além disso, há a possibilidade de outras marcas chinesas, como a Neta Auto, também utilizarem a infraestrutura da Comexport para produzir seus veículos localmente. A Neta Auto, por exemplo, está em negociações para produzir quatro modelos no Brasil, aumentando o volume de produção na fábrica do Ceará.
É importante destacar que a produção local pode ser temporária, uma vez que a Chery, controladora das marcas Omoda e Jaecoo, já possui fábricas em Anápolis (GO) e Jacareí (SP). No entanto, a estrutura em São Paulo está paralisada desde 2022, e a alternativa de utilizar a fábrica no Ceará faz sentido no curto prazo.

Impacto das mudanças na tributação de veículos importados
A decisão de produzir localmente também está relacionada às mudanças na tributação de veículos importados no Brasil. A partir de julho de 2026, as alíquotas para carros importados serão significativamente aumentadas, chegando a 35% para todos os tipos de motorização. Atualmente, os híbridos pagam 25%, os híbridos plug-in 20%, e os elétricos 18% de imposto.
Com o aumento das alíquotas, a produção local se torna uma alternativa mais viável para as marcas que desejam manter a competitividade no mercado brasileiro. Além disso, a produção local pode oferecer vantagens em termos de custos logísticos e de distribuição.
O que esperar do futuro das marcas chinesas no Brasil?
O futuro das marcas chinesas no Brasil parece promissor, com várias empresas já estabelecendo planos para produção local. Além da Omoda e Jaecoo, outras marcas como a BYD e a GWM também estão avançando em seus projetos de produção no país. A BYD, por exemplo, está preparando o antigo complexo da Ford em Camaçari (BA) para iniciar suas operações.
Com o aumento da presença das marcas chinesas no Brasil, espera-se uma maior diversidade de opções para os consumidores, além de um impacto positivo na economia local, com a geração de empregos e o fortalecimento da indústria automotiva nacional.
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