Um presidente candidatíssimo à presidência
Lula disse a líderes aliados que está animadíssimo para ocupar o cargo que já ocupa.
O governo de Fernando Henrique Cardoso teve alguns méritos e, pelo menos, um demérito: a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que instituiu a possibilidade de reeleição em cargos executivos no Brasil. Desde então, governos são emendas entre uma eleição e outra. Governar é bobagem, a burocracia dá conta.
Lula saiu de um jantar com líderes da base aliada dizendo-se candidatíssimo em 2026 à cadeira que ocupa desde 2022. Guloso, mal terminou o arroz com feijão do primeiro mandato e já quer engolir a sobremesa do segundo. Isso depois de um escândalo de corrupção no INSS que não começou em seu governo, mas atravessou metade dele. Ele se anima com essas coisas.
Em matéria de feitos, realizações e projetos, a gestão tem sido frugal. Ministros batendo cabeça em ministérios sem pé-nem-cabeça. Nas pastas que têm importância o Congresso manda e desmanda. De resto, nada de muito relevante acontece, a não ser as reações do abnegado Sidônio Palmeira a cada gafe, declaração e afronta presidencial aos bons costumes ou ao bom senso.
É um mandato feito de palavras, reprimendas, chantagem eleitoral, gestos espalhafatosos, notas oficiais. Como se estivesse fazendo cera, segurando o zero a zero, até o primeiro jogo acabar. As pesquisas de intenção de voto oscilam entre a esperança e a ameaça. Lula se mantém à frente em parte delas, mas com pouca margem de erro. E tem errado muito. Por atos e omissões. Mas o país espera, tem pressa não.
A herança maldita deixada por FHC foi a reeleição consecutiva. Presidentes nunca se contentam em ser presidentes porque estão ocupados em ser os próximos presidentes. A reeleição deveria ser abolida. A reeleição não consecutiva também. Quer governar? Governe uma vez, se despeça do cargo, deixe o país à vontade para seguir com a vida.
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Comentários (4)
Marcia Elizabeth Brunetti
25.04.2025 11:14A morte do Papa foi uma benção para Lula. Tempo para se fazer parecer como um católico fervoroso, seja para escapar de ter que falar sobre o caso do INSS. Mas, no final das contas, é como você diz, Gustavo, maldita herança de FHC. Os presidentes assumem o cargo já pensando nas próximas eleições.
Andre Luis Dos Santos
25.04.2025 00:29Está certíssimo. E, como vereadores, deputados (estaduais e federais) e senadores se aposentam apos 8 anos (dois mandatos pra vereadores e deputados; ou um mandato pra senador), deveriam também ser impedidos de serem candidatos de novo, exceto por exemplo se um vereador tentasse ser deputado estadual, ou um deputado estadual tentasse ser um federal, ou um federal ser um senador. Fora isso, deveriam ser forçados a ir pra casa. Dar espaço a outros. Essas aberracoes como um Bozo da vida (e muitos outros, de direita, centro ou esquerda) ter sido deputado por 5 (ou 6) mandatos, 20 (ou 24) anos ganhando salário de executivo pra não fazer MERDA NENHUMA, deveria acabar. Isso fora o que ROUBAM com rachadinhas, emendas, esquemas e ai vai.
Marian
24.04.2025 17:07Oi? Tem alguém que não está saindo às ruas, não lê o resultado das pesquisas, os comentários das redes e não tem atenção à saída de recursos deste país. Chegaremos inteiros à 2026?
Ita
24.04.2025 16:16Grande FHC mas, infelizmente, deixou-nos essa PRAGA (reeleição).