Trump ameaça vetar aviões da Bombardier nos EUA
Para a Embraer, maior rival da Bombardier no setor de aviação executiva, o momento pode abrir uma janela de oportunidade
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a mirar a fabricante canadense de aviões Bombardier nesta segunda-feira (7), ameaçando barrar a venda de suas aeronaves no mercado americano caso a empresa não passe a fabricar em solo dos Estados Unidos.
Em publicação na rede Truth Social, Trump atacou os produtos da companhia, afirmando que “não são bons o suficiente” e que, se ela quer continuar vendendo nos EUA, precisará “construir aqui” em vez de tratar o país como um “cofrinho”.
A declaração é o capítulo mais recente de uma disputa comercial que já dura meses entre Washington e Ottawa e chega em meio à aplicação, já a partir de hoje, terça-feira, de uma nova rodada de tarifas de retaliação do Canadá contra os americanos.
Trump também havia acusado o governo canadense de impedir bancos e empresas dos Estados Unidos, como a fabricante de jatos Gulfstream, de operar no país vizinho. Bancos americanos, porém, já atuam no Canadá há décadas, e a Gulfstream teve atraso na certificação apenas de modelos novos, depois liberada em fevereiro.
Na prática, autoridades e analistas do setor duvidam que a ameaça saia do papel. Os jatos da Bombardier seguem as regras do acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá e usam motores de empresas americanas, como Honeywell e GE Aerospace.
A companhia emprega 3.500 pessoas nos Estados Unidos, tem milhares de fornecedores por lá e produz peças do jato Global 8000, como as asas, no Texas. Cerca de metade da frota mundial de clientes da Bombardier, hoje com 5.100 aeronaves, está em território americano. Em janeiro, Trump já havia ameaçado tarifas e revogação de certificações, sem que nada se concretizasse.
Para a Embraer, maior rival da Bombardier no setor de aviação executiva e líder isolada no mercado de jatos regionais, o momento poderia abrir uma janela de oportunidade. A fabricante brasileira já mantém uma linha de montagem em Melbourne, na Flórida, o que a coloca em situação mais confortável diante da exigência de produção local feita por Trump.
Uma eventual restrição à Bombardier tenderia a direcionar parte da demanda por jatos executivos para a Embraer, especialmente nas faixas de pequeno e médio porte, disputadas pelas duas empresas.
Ainda assim, o cenário segue incerto, pois não há decreto, prazo ou norma formal que torne a ameaça concreta, e episódios anteriores de Trump mostram que suas ameaças desse tipo nem sempre viram medidas reais, com os famosos e sucessivos recuos apelidados de TACO trades.
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Comentários (1)
Wilson Hayashi
08.09.2026 11:09Logo ele estará vetando a Embraer também.