Roberto Ellery na Crusoé: O problema não é a Selic
Não há precedentes históricos que sustentem a redução de juros em um cenário de dívida alta sem antes resolver o desequilíbrio fiscal
Os juros ocuparam o centro do debate econômico desta semana.
A discussão girou em torno da proposta apresentada por André Lara Resende (um dos responsáveis pelo Plano Real) para reduzir a taxa de juros no Brasil.
O ponto de partida é que focar no resultado primário (aquele que desconsidera as despesas com juros), como faz, por exemplo, o arcabouço fiscal, não é o caminho correto para resolver o problema da dívida pública.
Segundo Lara Resende, o grande vilão do crescimento da dívida são os juros.
Sem pagar tanto de juros, quase 10% do PIB, seria mais fácil fechar as contas mesmo sem obter um superávit primário expressivo.
Até aqui, pouca gente discorda. Se o Brasil conseguisse financiar a dívida a juros de 5% ao ano, não estaríamos tão preocupados com a sustentabilidade da dívida pública.
A questão relevante é como reduzir os juros.
Lara Resende recomenda uma redução gradual, de forma que a Selic saísse dos atuais 13,75% para 7,5% em doze meses.
Depois disso, a Selic ficaria limitada pela soma da meta de inflação e do crescimento real do PIB esperado para o ano.
Seria criado um Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN), responsável por coordenar as políticas fiscal e monetária e por estabelecer metas para gastos do governo, inflação e juros.
O Banco Central continuaria responsável pela política monetária, ou seja, continuaria definindo a Selic, mas…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)