Motorista entra no acostamento para buscar sinal de celular e avisar que chegará atrasado, mas é parado por fiscalização e descobre por que a dificuldade de comunicação não libera o acostamento
Saiba por que pisca-alerta, carro ligado e poucos minutos não afastam uma autuação
O acostamento parece uma saída para um motorista que está sem sinal de celular e precisa avisar que chegará atrasado. Nesta situação hipotética, ele sai da pista para procurar conexão, mas é abordado pela fiscalização. A dificuldade de comunicação explica sua escolha, porém não autoriza o uso daquele espaço. O enquadramento depende do que ocorreu: circular pela faixa lateral e estacionar para fazer uma ligação são condutas diferentes.
Por que buscar sinal de celular não libera o acostamento?
O acostamento possui funções de segurança e não serve como área livre para resolver compromissos pessoais. Avisar familiares, clientes ou colegas sobre um atraso não caracteriza, por si só, uma emergência ou motivo de força maior. O veículo continua em condições de seguir viagem até um local adequado. Para avaliar a situação, é importante distinguir:
- A necessidade de enviar uma mensagem sobre um compromisso, sem risco imediato.
- Uma falha no veículo que torne necessário interromper o deslocamento.
- Uma situação concreta de saúde ou segurança que exija providência imediata.
- Uma determinação da fiscalização para encostar e aguardar orientações.
O CTB diferencia circular e estacionar na faixa lateral?
Circular pelo acostamento e estacionar nele têm enquadramentos distintos. O artigo 193 do Código de Trânsito Brasileiro prevê infração gravíssima, com multa multiplicada por três, para o trânsito irregular nesse espaço. Já o artigo 181, inciso VII, trata do estacionamento no local, salvo motivo de força maior, como infração leve, com multa e previsão de remoção do veículo.
Por isso, o relato de que o motorista “entrou para buscar sinal de celular” não basta para definir a autuação. É necessário saber se ele percorreu a faixa procurando conexão ou apenas imobilizou o carro para se comunicar. A fiscalização deve registrar a conduta constatada e aplicar o enquadramento correspondente, considerando as circunstâncias e as hipóteses de uso permitido.

O pisca-alerta evita a autuação por uma ligação?
O pisca-alerta sinaliza uma situação ao restante do trânsito, mas não altera o motivo da imobilização. Usá-lo não concede autorização para estacionar onde a legislação restringe essa conduta. Se o objetivo era apenas procurar sinal de celular e avisar sobre o atraso, as luzes intermitentes não transformam o compromisso em uma emergência.
Também existe risco físico na escolha do local. A aproximação de veículos em velocidade, a circulação de bicicletas e pedestres e uma possível necessidade de uso emergencial tornam a faixa lateral inadequada para essa espera. Durante a abordagem, o condutor deve seguir as orientações do agente. Encostar por determinação da fiscalização tem fundamento diferente de escolher o local para fazer uma ligação.
Ficar poucos minutos com o carro ligado muda a situação?
Uma ligação rápida também pode caracterizar estacionamento. No CTB, a parada corresponde à imobilização pelo tempo estritamente necessário para embarque ou desembarque de passageiros. Permanecer imóvel para telefonar tem outra finalidade, ainda que o motorista fique dentro do carro e mantenha o motor funcionando. Alguns argumentos comuns não transformam essa ocupação em uso autorizado:
Argumentos frequentemente apresentados
Algumas justificativas aparecem com frequência em situações de parada ou permanência temporária do veículo.
Justificativa 01“Eu ficaria apenas um minuto para mandar a mensagem.”
Justificativa 02“O motor estava ligado e eu não saí do veículo.”
Justificativa 03“Havia espaço suficiente para outros carros passarem.”
Justificativa 04“Liguei o pisca-alerta para mostrar que estava parado.”
Como avisar sobre o atraso sem criar outra infração?
O motorista deve continuar atento à condução e procurar um estacionamento permitido, uma área de descanso ou um estabelecimento com acesso seguro. A tentativa de comunicação deve esperar até que o veículo esteja adequadamente estacionado. Um passageiro pode tentar enviar o aviso durante a viagem, sem exigir que o condutor manuseie o aparelho ou desvie a atenção da pista.
Se houver autuação, a análise deve considerar a conduta registrada. O motorista pode conferir local, horário, enquadramento e descrição dos fatos, apresentando defesa pelos canais e prazos informados na notificação. A falta de conexão, isoladamente, não justifica o uso do acostamento. Para evitar repetir a situação, convém combinar previamente possíveis períodos sem cobertura e reservar a comunicação para um ponto de parada permitido.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)