Inflação e petróleo mexem com bolsas e juros
Inflação teimosa com IPCA 2026 em 4,71% no Focus e petróleo em alta com tensão Trump-Irã pressionam Ibovespa, bolsas e juros nesta segunda
O Ibovespa deve começar a semana sob pressão do cenário externo. A combinação entre o endurecimento do discurso de Donald Trump contra o Irã, avanço acentuado do petróleo (WTI +3,7% perto de 99,1 dólares e Brent +3,4% perto de 104,7 dólares) e expectativa por dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos deixou investidores mais cautelosos nesta segunda-feira.
O índice brasileiro vinha de ganhos apoiados por ações de bancos e da Vale, enquanto as ações da Petrobras perderam força nos últimos pregões, mesmo com a valorização do petróleo.
No exterior, futuros de Nova York operam levemente negativos depois que Trump classificou como “totalmente inaceitável” a nova proposta iraniana para encerrar o conflito no Oriente Médio. O movimento elevou a preocupação com o estreito de Ormuz, uma das principais rotas do petróleo no mundo.
Analistas de bancos e consultorias internacionais avaliam que um bloqueio prolongado na região pode aumentar as pressões inflacionárias em vários países e alterar expectativas para juros americanos.
Esse cenário passou a influenciar diretamente moedas, bolsas e contratos de juros em mercados emergentes.
No Brasil, investidores acompanham o Boletim Focus divulgado nesta manhã e os próximos indicadores de inflação, com destaque para o IPCA e os núcleos, em busca de sinais sobre os próximos passos do Banco Central.
O novo relatório reforça o problema da inflação resistente: a mediana para o IPCA de 2026 ficou em 4,71%, nível ainda significativamente acima do centro da meta e refletindo as fortes pressões do choque do petróleo e das commodities, o que aumenta a preocupação com a trajetória inflacionária e dificulta ainda mais a perspectiva de cortes acelerados na Selic.
A preocupação aumentou depois de semanas seguidas de alta nas projeções inflacionárias (IPCA 2026 já em 4,89% na última leitura, oitava alta consecutiva).
Mesmo com o dólar abaixo de cinco reais em parte das últimas sessões, o mercado ainda vê dificuldade para cortes acelerados na taxa básica de juros. As implícitas de juros seguem elevadas (B26 em torno de 5,13%).
A alta do petróleo também recolocou a Petrobras no centro das atenções por causa do peso da estatal no Ibovespa, da grande defasagem de preços (diesel -37% e gasolina -73% em relação à paridade internacional) e dos possíveis efeitos sobre combustíveis. A importação recorde de diesel russo nos últimos meses ampliou a dependência externa.
Gestores avaliam que a combinação entre conflito externo, inflação resistente (reforçada pelo IPC-Fipe da primeira quadrissemana de maio em 0,37%) e incerteza sobre juros deve manter a bolsa brasileira mais sensível às notícias internacionais nos próximos dias.
Ao mesmo tempo, dados recentes do mercado de trabalho americano continuam mostrando atividade aquecida, fator que reduz apostas em cortes rápidos de juros pelo Federal Reserve.
Para investidores estrangeiros, o Brasil segue atraente pelos juros elevados, mas a permanência das tensões geopolíticas limita movimentos mais firmes de entrada de capital na bolsa.
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