Entenda os reajustes da Petrobras que entraram em vigor em maio
Petrobras reajusta gás em 19,2% e sinaliza possível aumento da gasolina. Entenda os efeitos nos seus custos com energia e transporte
A Petrobras anunciou na sexta-feira passada um reajuste de 19,2% no preço do gás natural vendido às distribuidoras. O aumento reflete a alta de 24,3% no petróleo Brent, influenciada pelo conflito no Oriente Médio, a redução de 14% na oferta da commodity e a valorização de 2,5% do real ante o dólar.
O novo valor vale para o gás encanado e deve chegar aos consumidores residenciais e veiculares nos próximos dias por meio das tarifas estaduais.
Dias antes, a empresa já havia elevado em 18% o querosene de aviação repassado às distribuidoras, o que representa cerca de um real a mais por litro e que se soma aos aumentos de 9,4% em março e 54,8% em abril. Essas altas acumulam cerca de 100% no ano e praticamente dobraram o custo do combustível de aviação.
A medida também decorre das tensões geopolíticas que encareceram o petróleo internacionalmente e afetam diretamente os custos das companhias aéreas, responsáveis por 45% das despesas totais com combustível.
Só em março, as passagens já subiram quase 20%, segundo a ANAC, e podem pressionar ainda mais o bolso dos viajantes.
Enquanto isso, a presidente da estatal, Magda Chambriard, sinalizou que a empresa planeja aumentar também o preço da gasolina nas refinarias caso o Congresso aprove a redução de impostos federais sobre combustíveis.
O corte de PIS e Cofins criaria margem para o reajuste sem repasse integral ao consumidor final, equilibrando os interesses da companhia e dos acionistas. A possibilidade surge em meio à eleição e à necessidade de conter o impacto da guerra no Irã sobre os preços domésticos.
Esses movimentos revelam a equação que a Petrobras enfrenta. De um lado, contratos indexados ao mercado internacional obrigam correções periódicas que protegem a receita da empresa.
De outro, a pressão do governo para a estatal amortecer o efeito nas contas das famílias e das empresas. O gás natural, importante para indústrias e residências, ganha peso com a produção nacional em alta, mas ainda depende de fornecedores externos.
No setor aéreo, o combustível caro tende a reduzir viagens e afetar o turismo. Já a gasolina envolve um jogo político mais delicado, pois qualquer alta visível gera reclamação imediata. A estratégia da empresa tenta se equilibrar entre rentabilidade e estabilidade social.
Mesmo com produção interna crescente, oscilações internacionais continuam a ditar o ritmo dos reajustes. Consumidores e setores produtivos observam atentos às próximas atualizações, que devem moldar o custo de vida nas semanas à frente.
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