Governo brasileiro diz que dialogará com a China sobre taxação da carne
Por decisão do governo chinês, exportações de carne bovina para o país asiático que ultrapassarem cota pagarão sobretaxa de 55%
Os ministérios das Relações Exteriores, da Industria e da Pecuária afirmaram nesta quarta-feira, 31, em nota conjunta, que o governo federal acompanha “com atenção“ a decisão do governo chinês de aplicar salvaguarda a suas importações globais de carne bovina e dialogará com o país asiático sobre a medida.
“A medida, com vigência a partir de 1º de janeiro e duração prevista de três anos, cria cota anual inicial de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil. As exportações que ultrapassarem a cota pagarão sobretaxa de 55%“, pontuam os ministérios, no comunicado.
“O governo brasileiro tem agido de forma coordenada com o setor privado e seguirá atuando junto ao governo chinês tanto em nível bilateral quanto no âmbito da OMC, com vistas a mitigar o impacto da medida e defender os interesses legítimos dos trabalhadores e produtores do setor“.
As pastas prosseguem: “As medidas de salvaguarda são instrumentos de defesa comercial previstos nos acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC) utilizados principalmente para lidar com surtos de importação. A medida não tem por objetivo combater práticas desleais de comércio e é aplicada às importações de todas as origens”.
Ainda de acordo com os ministérios, a China respondeu por 52% das vendas externas do setor no ano passado.
“O Brasil, por sua vez, é a principal origem das importações do produto no mercado chinês. Ao longo dos últimos anos, o setor pecuário brasileiro tem contribuído de maneira consistente e confiável para a segurança alimentar da China, com produtos sustentáveis e competitivos, submetidos a rigorosos controles sanitários”, complementam.
O governo chinês sustenta que a salvaguarda busca proteger produtores domésticos, pressionados por um aumento acelerado das importações em um momento de demanda interna mais fraca.
Dados do setor mostram que a China importou cerca de 2,6 milhões de toneladas de carne bovina, de diversos países, em 2025, quase três vezes mais do que há dez anos.
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Comentários (1)
Marian
01.01.2026 23:09Alguma retaliação?