Fim de reservas deixa petróleo mais vulnerável
Durante o fechamento anterior de Ormuz, foram usadas reservas estratégicas de petróleo. Agora restam pouco para que esse colchão se esgote
A trégua entre Estados Unidos e Irã, que havia aliviado a pressão sobre o mercado de petróleo, ruiu semana passada e reacendeu o temor de uma nova crise de abastecimento global.
O Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo produzido no mundo, voltou a ficar praticamente fechado depois que o Irã atacou embarcações comerciais que cruzavam a rota, incluindo dois superpetroleiros da Adnoc, estatal de petróleo dos Emirados Árabes Unidos. Ao menos um tripulante morreu nos ataques.
Com isso, o valor do petróleo Brent chegou a saltar para mais de 87 dólares o barril na terça-feira, maior patamar em mais de um mês, em meio à retomada das hostilidades entre Washington e Teerã. Nesta quinta-feira, a commodity era negociada perto de 85 dólares, alta de quase 13% na semana.
Segundo reportagem do Financial Times, analistas estão preocupados com a falta de uma rede de proteção. Durante o fechamento anterior do estreito, países ocidentais e asiáticos usaram reservas estratégicas recordes para segurar os preços, e o petróleo, mesmo em plena guerra, não ultrapassou 126 dólares o barril.
Agora, segundo a Agência Internacional de Energia, quase três quartos de um estoque emergencial de 400 milhões de barris já foram liberados, restando poucas semanas antes que esse colchão se esgote, deixando o mercado mais vulnerável a uma nova interrupção prolongada.
O impacto já chega ao consumidor. Preços da gasolina e do diesel sobem mais rápido do que o petróleo bruto, pressionados também por ataques ucranianos a refinarias russas, o que reduz a oferta global de diesel.
No Brasil, a tensão internacional fez o governo estender uma flexibilização temporária que dispensava distribuidoras da obrigação de manter estoques mínimos de gasolina e diesel, medida que tende a encarecer a logística do setor justamente num momento de petróleo mais caro e commodities agrícolas pressionadas pela alta dos fertilizantes importados do Golfo.
Traders passaram a monitorar também o Mar Vermelho, onde os rebeldes Houthis do Iêmen retomaram ataques contra a Arábia Saudita. Uma escalada nos conflitos ali fecharia a única rota saudita de exportação fora de Ormuz, aumentando o risco de novos choques no fornecimento e preços internacionais de energia.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)