Economia do Brasil perde fôlego no 2º trimestre
PIB desacelera no 2º trimestre com queda de 2,2% nos investimentos e estagnação no varejo. Copom deve manter Selic em 15% até fim de 2025
O PIB brasileiro cresceu 0,4% no segundo trimestre de 2025 ante o primeiro, desacelerando frente ao avanço de 1,3% a 1,4% do período anterior.
Na comparação anual, o crescimento foi de 2,2% contra o mesmo trimestre de 2024, superando ligeiramente a mediana de expectativas do mercado (0,3% trimestral).
A moderação reflete desafios como a contração do setor agropecuário e a desaceleração na demanda doméstica, em um contexto de juros altos e incertezas fiscais.
A agropecuária recuou 0,1%, revertendo o salto de 12,3% do primeiro trimestre, devido à normalização após safras recordes.
A indústria cresceu 5,4%, puxada pelo extrativismo (petróleo, gás e minério de ferro), mas com quedas na transformação (-0,5%) e construção (-0,2%).
Nos serviços, o avanço foi de 0,6%, impulsionado por atividades financeiras (2,1%), informação e comunicação (1,2%) e transportes (1,0%), enquanto o varejo estagnou (0%).
Pelo lado da demanda, o consumo das famílias desacelerou para 0,5%, e os investimentos (FBCF) caíram 2,2%, pressionados por juros elevados e endividamento familiar.
A Selic, mantida em 15%, reforça o ambiente contracionista, com efeitos defasados do ciclo de alta iniciado em setembro de 2024.
As tensões comerciais externas, como tarifas de impostas pelos EUA para outros países, já impactaram nossas importações (-2,9%), embora as exportações tenham crescido 0,7%, beneficiadas sobretudo pelo agro e extrativismo.
Ainda que num ritmo mais lento, a economia segue em expansão, com um crescimento acumulado de 2,4% para o ano, projetando crescimento anual entre 2,2% e 2,5%.
O mercado de trabalho deve se manter forte até o fim de 2025, apoiado por políticas públicas e arrecadação tributária, mas indicadores de julho e agosto apontam para desaceleração adicional.
Segundo a maioria dos analistas do mercado financeiro, o Copom deve manter a Selic estável até dezembro, com possíveis cortes de 0,25 p.p. em 2026, dependendo do IPCA, projetado em 4,85% para 2025, acima da meta de 3%.
Segundo o economista-chefe da Lev Asset, Jason Vieira, “o risco para os próximos dois semestres é de crescimento nulo, com probabilidade material de recessão técnica se a normalização do Agro vier mais rápida e/ou o aperto financeiro persistir.”
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