“Discordo veementemente” de suspensão de consignados, diz CEO do C6 Bank à CPMI
INSS suspendeu novos empréstimos consignados da instituição, após aumento de reclamações sobre descontos não autorizados
O CEO do C6 Bank, Artur Ildefonso Brotto Azevedo, disse nesta quinta-feira, 19, que discorda “veementemente“ da decisão do INSS de suspender novos empréstimos consignados da instituição financeira. Ele negou que o C6 Bank tenha cometido alguma irregularidade. Azevedo depôs à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, do Congresso.
A suspensão ocorreu na terça-feira, 17. A decisão veio depois de um aumento de reclamações sobre descontos não autorizados nos contracheques, com indícios de inclusão de contratos e venda casada.
O INSS cobra a devolução de cerca de 300 milhões de reais aos beneficiários afetados, valor estimado a partir de auditorias preliminares. Os descontos foram registrados ao longo de meses sem consentimento claro dos segurados.
“Dois dias atrás, justamente quando eu me preparava para comparecer diante das senhoras e dos senhores, para esclarecer todos os fatos, o INSS decidiu suspender a concessão de novos empréstimos consignados ao banco C6 Consignado. Discordo veementemente da decisão do INSS, porque temos convicção de que não praticamos nenhuma irregularidade“, declarou Azevedo.
“Nós cumprimos, sempre rigorosamente, todas as normas estabelecidas. Estamos impedidos de ofertar novos empréstimos consignados pelo INSS e já recorremos ao Judiciário para restabelecer a operação”.
Ainda conforme o CEO, unilateralmente o INSS decidiu que a instituição financeira deveria devolver integralmente o valor a todos os beneficiários que contrataram legitimamente os produtos de forma “totalmente transparente”. “Não nos parece correto fazer a devolução integral dos valores contratados legalmente com anuência clara e explícita dos contratantes”.
A suspensão atinge todas as novas concessões do C6 no sistema do INSS, com o órgão exigindo a apresentação de plano detalhado de restituição. A cobrança inclui atualização monetária e prazos para pagamento aos aposentados.
O caso envolve suspeita de adesão irregular a serviços vinculados aos empréstimos, prática que aumenta o valor descontado mensalmente.
Essa suspensão ocorreu após pressão de entidades de defesa do consumidor. O INSS avalia ampliar a fiscalização sobre outras instituições financeiras que operam consignado. Há preocupação com a recorrência de cobranças indevidas no setor.
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Comentários (1)
Paula Cristina dos Santos Braga
19.03.2026 18:45O governo cria os consignados e depois quer roubar o C6!