Crusoé: A ressaca do IPO mais esperado do ano
SpaceX despencou após o IPO e perdeu mais de 900 bilhões de dólares em valor de mercado. Entenda o que provocou essa virada
A euforia que tomou conta de Wall Street após a abertura de capital da SpaceX, em 12 de junho, durou pouco mais de uma semana. Depois de disparar nos dois primeiros pregões como empresa pública, chegando a superar Amazon e Microsoft em valor de mercado, as ações acumularam queda de quase 24% em apenas três dias de negociação.
O tombo foi o retrato de uma combinação perigosa: excesso de otimismo, dívida nova e um ambiente macroeconômico cada vez mais hostil às empresas de tecnologia.
O gatilho imediato da queda foi uma decisão da própria companhia. Após captar mais de 85 bilhões de dólares na oferta inicial de ações, a SpaceX anunciou uma nova emissão de títulos de dívida em busca de pelo menos 20 bilhões de dólares para quitar empréstimos e financiar operações.
O mercado interpretou esse movimento como sinal de que a empresa de Elon Musk precisa de mais caixa do que aparentava, e puniu os papéis na hora.
A aquisição da Anysphere, empresa criadora do assistente de programação Cursor, por 60 bilhões de dólares em ações representou uma diluição adicional de cerca de 3,4% para os acionistas, o que analistas avaliaram como uma diluição considerável.
Somou-se a isso a ameaça de uma enxurrada de ações no mercado. Analistas calculam que até 44% das ações em poder de funcionários e investidores antigos podem se tornar negociáveis já em setembro, o que representa risco concreto de diluição para quem comprou no IPO. Algumas corretoras iniciaram cobertura com recomendações neutras, reforçando o ceticismo.
O cenário externo agravou tudo. Rendimentos dos títulos do Tesouro americano subiram a patamares não vistos desde 2025, enquanto os mercados passaram a precificar probabilidade de entre 76% e 90% de que o banco central americano eleve juros até setembro. Juros mais altos encarecem dívidas e corroem o valor futuro de empresas que ainda não geram lucros consistentes, e a SpaceX registrou prejuízo de quase cinco bilhões de dólares em 2025.
O episódio expõe uma tensão clássica dos mercados: o ex-presidente da Nasdaq, Robert Greifeld, disse publicamente que a SpaceX negocia com base em expectativas, não em fundamentos, e que a alta volatilidade é, em grande parte, consequência de uma disponibilidade pública de ações restrita a apenas 4%. Quando o entusiasmo cede, a queda pode ser vertical.
No restante do setor das techs…
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