Mandante de crime no Louvre reclamou do valor roubado
Novos depoimentos detalham logística do furto de joias avaliadas em 88 milhões de euros, considerada insuficiente pelo mentor
Um dos suspeitos presos pelo roubo de joias da Coroa francesa no Museu do Louvre afirmou, em depoimento, que o suposto mentor intelectual do crime reclamou do número de peças levadas durante a ação.
As transcrições, obtidas pelo jornal Le Monde e divulgadas neste domingo, 12, trazem detalhes inéditos sobre o esquema que resultou no furto de oito objetos avaliados em 88 milhões de euros, em outubro de 2025.
Recrutamento rápido e vídeo de reconhecimento
Segundo os relatos, os suspeitos Abdoulaye N. e Ghelamallah A. contaram ter sido chamados para o assalto apenas dois ou três dias antes de sua execução, por um homem cuja identidade preferem não revelar. Um vídeo gravado dentro da Galeria de Apolo teria sido usado para indicar quais vitrines guardavam as joias associadas à família de Napoleão.
A dupla relatou que o grupo usou um veículo equipado com plataforma elevatória para alcançar uma varanda no primeiro andar do museu. De lá, teria forçado uma janela, quebrado os expositores com equipamentos elétricos e escapado de motocicleta. Nesse trajeto, a coroa da imperatriz Eugénia acabou caindo e foi localizada avariada nas proximidades.
Reclamação atribuída ao articulador
Ao relatar a entrega das joias ao suposto chefe da operação, Abdoulaye N. disse ter recebido uma crítica sobre a quantidade retirada do local. Segundo as transcrições, ele afirmou aos investigadores que “poderíamos ter roubado mais”.
Mesmo com esse depoimento, a polícia francesa ainda não confirmou a existência desse articulador nem se a ação foi conduzida sob orientação de terceiros. Abdoulaye N. disse ter topado participar do crime em razão de dificuldades financeiras, mediante promessa de recebimento entre 15 mil e 20 mil euros, além de possível quinhão na comercialização das peças. Ghelamallah A., por sua vez, alegou pensar que participaria do assalto a uma joalheria e só percebeu o verdadeiro alvo no momento da abordagem.
Ambos disseram temer represálias e, por isso, evitaram apontar o nome do responsável pela empreitada. Um deles declarou ainda ter recebido ligações na prisão com orientação para manter silêncio sobre o caso.
Joias seguem sem paradeiro
As peças subtraídas continuam desaparecidas. A hipótese mais forte entre investigadores é de que tenham sido repassadas a uma rede de receptação internacional, embora também se cogite que tenham sido desmontadas para venda separada das pedras.
Uma auditoria realizada após o crime apontou que só 39% das salas do museu contavam com monitoramento por câmeras, o que reacendeu debate sobre a segurança do acervo.
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