BBC busca novo modelo de financiamento
Emissora pública britânica negocia acordo com governo antes de vencimento do contrato atual em 2027
A emissora britânica BBC admitiu, em relatório anual divulgado nesta terça-feira, 14, que a estrutura financeira que sustenta hoje suas operações não tem condições de continuar como está. O documento aponta um descompasso entre o alcance da emissora e a base de pagantes: 94% dos adultos do Reino Unido acessam o conteúdo da emissora mensalmente, mas apenas 80% dos domicílios britânicos recolhem a taxa de licença que financia a instituição.
Negociação com o governo
Segundo o documento, a BBC precisa fechar um novo acordo de financiamento com o governo britânico antes que o contrato vigente termine, no fim de 2027. Entre as alternativas em discussão estão a manutenção da taxa de licença nos moldes atuais, a adoção de um sistema de assinaturas ou a migração para financiamento via publicidade.
O diretor-geral Matt Brittin, que chegou ao posto em maio vindo do Google, classificou o momento como “um momento de real perigo” para a emissora e para o país. Ele afirmou que já estão em curso iniciativas para reformular a instituição, e disse concordar com a avaliação do governo sobre o valor da taxa, sua abrangência e a forma de cobrança futura.
Cortes e parceria com outras emissoras
Brittin também mencionou conversas, apoiadas pelo governo, entre a BBC e outras emissoras do país, como o Channel 4, para reunir conteúdos em uma plataforma de mídia nacional conjunta. Sobre episódios internos recentes, o executivo disse que a companhia tem buscado avanços “significativos” em cultura organizacional e padrões de conduta.
A emissora também promoveu cortes neste ano. Em março, o apresentador de rádio Scott Mills, então o profissional mais bem remunerado da casa, com salário anual de 750 mil libras (R$ 5,11 milhões), deixou a BBC em meio a acusações de crime sexual.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)