Rússia é acusada de executar prisioneiros ucranianos
Governo de Kiev denuncia política sistemática de assassinatos de soldados capturados desde o início da guerra
Forças russas mataram centenas de prisioneiros de guerra ucranianos ao longo do conflito iniciado em 2022, segundo denúncia do governo da Ucrânia. Um levantamento da ONU confirmou 129 execuções de militares capturados, mas autoridades ucranianas sustentam que a cifra real é consideravelmente superior e que os assassinatos têm se intensificado.
Um caso relatado
Entre as vítimas está o soldado Andriy Dubnytsky, de 25 anos, morto em fevereiro de 2024 durante a retirada de tropas ucranianas da cidade de Avdiivka, no leste do país. Ferido, ele permaneceu no local ao lado de outros cinco companheiros, também feridos.
Em ligação para a esposa, Liudmyla Dubnytska, em 15 de fevereiro daquele ano, o soldado relatou nervosismo e chorou ao telefone, temendo ser capturado. Pouco depois, deixou de responder às mensagens. Dois dias mais tarde, a esposa reconheceu o corpo do marido em um vídeo publicado em redes sociais russas, a partir de uma tatuagem em formato de cruz na mão dele.
A 110ª brigada, unidade à qual pertencia Dubnytsky, denunciou a morte de vários soldados e acusou tropas russas de descumprir um acordo previamente firmado para a retirada dos militares. A Procuradoria da Ucrânia investiga o episódio como assassinato de prisioneiros desarmados.
Divergência nos números
Segundo o promotor Andriy Atamantchuk, da Procuradoria-Geral ucraniana, já foram abertos 116 inquéritos referentes à morte de 306 militares desde 2022 — número que, segundo ele, tende a ser maior na prática.
Um funcionário da inteligência ucraniana, sob anonimato, apontou um total superior a 900 mortos em mais de 340 episódios, o que representaria, segundo essa fonte, entre 25% e 40% dos casos reais.
A diferença entre as estimativas é atribuída à metodologia: enquanto a Procuradoria trabalha apenas com casos documentados e comprovados, os serviços de inteligência recolhem relatos mais imediatos vindos de unidades na linha de frente.
Atamantchuk afirmou que as execuções resultam de uma orientação deliberada das forças russas: “Isto se deve a uma política russa que, na prática, tem incentivado e facilitado este tipo de crime, e cujos comandantes têm dado ordens nesse sentido”.
As autoridades russas não se pronunciaram sobre as acusações. Moscou nega cometer crimes de guerra e, em contrapartida, atribui esse tipo de violação a Kiev.
Até o momento, apenas cinco soldados russos foram condenados pela Justiça ucraniana, dois deles à revelia, segundo o promotor.
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