Dennys Xavier na Crusoé: Por que idolatramos políticos? Os riscos, segundo Orwell
Escritor britânico alertou para os perigos de ver as vitórias e derrotas de seu grupo como acontecimentos pessoais e acreditar que se está do lado correto
O que leva uma pessoa a defender um político com uma devoção que não dedicaria aos próprios familiares?
Por que indivíduos capazes de perceber contradições nas situações mais simples da vida se mostram dispostos a aceitar explicações absurdas quando elas partem de seus líderes preferidos?
Homens comuns, sujeitos aos mesmos defeitos e limitações de qualquer pessoa, acabam transformados em figuras providenciais, depositários de esperanças que nenhum ser humano seria capaz de satisfazer.
E o mais curioso é que seus admiradores, convencidos de estarem defendendo princípios elevados, abandonam exatamente os princípios que dizem defender para preservar a reputação de quem os representa.
George Orwell conhecia bem essa disposição humana, demasiadamente humana.
Sua experiência com os conflitos ideológicos do século 20 ensinou-lhe que pessoas instruídas, aparentemente comprometidas com a justiça e a liberdade, podiam encontrar justificativas para mentiras, perseguições e atrocidades, desde que praticadas em nome de causas consideradas legítimas.
Notas sobre o Nacionalismo
Em seu ensaio Notas sobre o Nacionalismo, publicado em 1945, Orwell examina o tal nacionalismo, no sentido amplo que atribui ao termo.
Para ele, o nacionalismo envolve uma…
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