Amazon limita venda de livros feitos por inteligência artificial
Plataforma restringe publicações diárias após onda de títulos gerados por IA gerar dúvidas sobre autoria e qualidade editorial
A Amazon passou a permitir no máximo três publicações diárias por autor independente em sua plataforma de autopublicação, medida adotada diante do crescimento acelerado de obras produzidas com auxílio de inteligência artificial.
Segundo reportagem da Exame, a restrição busca conter a inundação de títulos semelhantes em categorias como negócios, culinária e autoajuda, ao mesmo tempo em que a empresa mantém a permissão para uso da tecnologia na criação de conteúdo.
Volume de publicações cresce com uso de IA generativa
Ferramentas de inteligência artificial generativa tornaram possível a produção de centenas de páginas em poucas horas, abrangendo gêneros como romances, guias de viagem, programação e jardinagem.
Antes da nova regra, autores conseguiam publicar dezenas de títulos por dia, o que levou categorias inteiras a se concentrarem em obras parecidas entre si. A empresa exige que o uso de IA seja informado no momento da publicação, mas não veta esse tipo de conteúdo.
Casos de uso indevido de nomes chamam atenção
O fenômeno também expôs situações de atribuição incorreta de autoria. Jane Friedman, que presidiu a HarperCollins e atua como especialista em publicação, identificou diversos livros vendidos na Amazon com seu nome, embora nunca tivesse escrito tais obras. Após repercussão do caso, a plataforma retirou os títulos do catálogo.
Outro episódio, mencionado pelo jornal Washington Post, trata de um livro técnico cuja elaboração levou mais de um ano. Semanas depois de seu lançamento, surgiu uma publicação com título quase idêntico, criada com apoio de IA, disponível para venda na mesma plataforma.
Em artigo publicado no jornal Le Monde, o escritor francês Julien Blanc-Gras disse ter encontrado, à venda na Amazon, um livro de viagem assinado com seu nome. No caso, um livro que ele nunca escreveu. Segundo o autor, a obra foi gerada por inteligência artificial e comercializada por 17,05 euros.
“Eu sou Julien Blanc-Gras. E, de fato, sou um escritor que viaja. O problema é que nunca escrevi esse livro”.
Falta de revisão editorial preocupa especialistas
Diferentemente de obras lançadas por editoras tradicionais, boa parte dos títulos independentes chega ao mercado sem passar por checagem de informações ou curadoria especializada. Isso torna mais difícil para o leitor avaliar a confiabilidade do conteúdo antes da compra.
Especialistas apontam que critérios como avaliações de outros compradores, histórico do autor, descrição da obra e data de publicação ajudam a orientar essa escolha. Em áreas como medicina, viagem e negócios, esse cuidado ganha peso adicional, já que dados equivocados podem comprometer a utilidade prática do material.
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