As peripécias de Dirceu fora da cadeia
Dirceu já foi preso e solto três vezes desde o mensalão. Sempre que esteve solto, aprontou alguma, até durante a Copa do Mundo.
Na tarde desta quinta (16), um novo mandado de prisão para José Dirceu estava sendo expedido. Foram esgotados seus recursos na segunda instância, inclusive um pedido de prescrição retroativa para os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Dirceu já foi preso e solto três vezes desde o mensalão. Sempre que esteve solto, aprontou alguma. Relembre aqui algumas das peripécias de Dirceu fora da cadeia.
– O gabinete clandestino

Em agosto de 2011, no primeiro ano do governo Dilma, a revista Veja mostrou que Dirceu mantinha um gabinete paralelo em Brasília. Na área vip de um hotel cinco estrelas, o ex-ministro em atividade recebia pessoas como José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobrás; Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento; e os senadores petistas Delcídio do Amaral, Lindbergh Farias e Walter Pinheiro.
Uma das atividades do grupo de Dirceu foi tentar ocupar o espaço deixado com a saída de Antonio Palocci da Casa Civil.
O nome de Dirceu não constava na relação de hóspedes do hotel.
– A primeira prisão na democracia

Dirceu foi preso em 15 de novembro de 2013, no processo do mensalão. Não durou quase nada. Em julho de 2014 já estava no semiaberto, e em 4 de novembro – menos de um ano depois da prisão – ganhou prisão domiciliar.
– A segunda prisão na democracia

Como a pena imposta por Joaquim Barbosa no mensalão foi muito pequena, a Lava Jato prendeu Dirceu em casa em sua 17ª fase, a Pixuleco, em agosto de 2015.
No despacho de prisão preventiva, Sergio Moro escreveu que Dirceu “teria persistido em receber sua parcela [de propina], mesmo depois de ter deixado o cargo de Ministro da Casa Civil [em 2005]”.
Moro relatou que Júlio Camargo contou ter repassado cerca de R$ 4 milhões em propina a José Dirceu.
Nessa mesma época, Dirceu foi desmentido pelo próprio irmão, como O Antagonista publicou em Exclusivo: “Dinheiro de Dirceu não foi consultoria”, diz irmão.
Em abril de 2016, a OAB decidiu cassar o registro de advogado do ex-ministro.
Em maio de 2017, por 3 votos a 2, a 2ª Turma do STF mandou soltar Dirceu. Mas…
– A terceira prisão na democracia

Dirceu foi condenado a 30 anos e 9 meses de prisão pela Lava Jato, por ter recebido R$ 12 milhões em propina da Engevix por meio de contratos superfaturados com a diretoria de Serviços da Petrobras, encabeçada por Renato Duque. O TRF-4 negou seu último recurso em maio de 2018, e Dirceu foi preso de novo. Desta vez, não era preventiva.
Em junho de 2018, a 2ª Turma do STF (de novo) mandou soltar Dirceu (de novo), desta vez por 3 votos a 1. Desta vez, ele não ficou nem dois meses na cadeia.
– Soltinho, soltinho
Liberado pela 2ª Turma, Dirceu aprontou várias fora da cadeia. A mais famosa delas foi durante a Copa do Mundo.
O desembargador Rogério Favreto aproveitou o plantão para mandar soltar Lula em um domingo, 8 de julho. Não conseguiu.
Começou a circular um vídeo em que Dirceu celebrava a soltura de Lula. Nas imagens, ele aparece usando uma camisa do Brasil, o que é curioso, porque o jogo Brasil x Bélgica havia sido naquela sexta (6).
Não parou por aí.
Em outubro, Dirceu deu entrevista à Folha afirmando: “Tem que tirar o poder de investigação do Ministério Público. O Ministério Público serve para acusar. Virou uma polícia política, não há controle nenhum”.
No fim do ano, cumpriu uma turnê pelo Brasil com o lançamento de sua autobiografia. Para plateias rigorosamente selecionadas, sempre em ambientes fechados, anunciou as linhas do petismo pós-vitória de Bolsonaro. Em uma pizzaria em Belo Horizonte, afirmou: a maior ameaça vai ser o Escola sem Partido.
Vale lembrar que ele já estava condenado em 2ª instância.
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