O inverno está chegando
A economia tem dado sinais negativos. E o governo Bolsonaro já está ciente disso.
Em 29 de abril, o Focus trazia a expectativa de a economia brasileira crescer 1,7% em 2019. Uma semana depois, já caía a 1,49 ponto percentual. Mais sete dias e tinha em 1,45% um novo piso, mais de um ponto abaixo da expectativa de janeiro.
Esse, contudo, não é um entendimento exclusivo do boletim. O Itaú prevê crescimento de apenas 1% para o PIB. Junto com o Bradesco, estima que a economia encolheu 0,2% no primeiro trimestre. A Instituição Fiscal Independente do Senado reduziu de 2,3% para 1,8% a expectativa de crescimento anual da economia. O próprio Paulo Guedes calculou um cenário ainda pior.
Temos uma economia que pode se recuperar com uma certa rapidez se fizer as reformas que estão encomendadas. O crescimento que era 2% quando eles fizeram as primeiras estimativas, já caiu para 1,5%. Paulo Guedes– Tsunamis de março No comércio, o Dia das Mães veio 5% mais fraco que o de 2018. Mas os sintomas já eram perceptíveis em março, quando produção industrial brasileira caiu 1,3% em relação a fevereiro. O setor de serviços, segundo o IBGE, caiu 0,7% em relação ao mês mais curto do ano, e acumulou queda de 1,7% em todo o primeiro trimestre. Comparando com o mesmo período de 2018, a queda chegou a 2,3%. O analistas políticos estão atentos ao fenômeno. Em especial, Vinicius Torres Freire, que alertou semanalmente: “se a arrecadação não melhorar, vai faltar verba para o pagamento de serviços essenciais“, “a queda de um tico do desemprego será notada apenas na estatística, o subemprego ainda se dissemina” e “começou a bater um desespero na praça“. – Década perdida Economicamente, o ano de 2019 já era. Ao menos é como investidores e empresários analisam.
Deve ser mais um ano fraco, e, para o nível de ociosidade que o Brasil ainda tem, a gente está indo para mais um ano perdido. Qualquer crescimento abaixo de 2% é ruim. Evandro Buccini, economistaA notícia ruim piora ao se recordar que o contexto já era péssimo. Segundo cálculos do FMI, o Brasil está entre as 19 nações que menos cresceram na década.
O PIB do país deve ter um crescimento médio de apenas 0,9% entre 2011 a 2020. Nesse período, expansão da economia brasileira só será maior do que a de 18 países. O Antagonista– Contingenciando tudo As Forças Armadas, que tanto evitam um conflito com a Venezuela, foram surpreendidas com uma bomba econômica: corte de 43% no orçamento do Ministério da Defesa.
Na área econômica, a informação é de que está havendo uma queda de nada menos do que R$ 30 bilhões nas receitas esperadas, além dos R$ 12 bilhões que entrariam caso a Eletrobras fosse privatizada. Miriam LeitãoO contingenciamento, que atingiu o Governo Federal como um todo, mas virou alvo de protestos com foco no MEC, só tende a crescer. Pois reage à queda na arrecadação. No início da semana, veio a confirmação de que “a equipe econômica deve contingenciar mais 10 bilhões de reais“. O primeiro passo para corrigir um problema é reconhecer a existência dele. Neste sentido, há uma boa notícia.
Jair Bolsonaro já se convenceu de que a economia brasileira entrou novamente no buraco. E que, sem uma reforma previdenciária de 700 bilhões de reais, a coisa vai piorar. O Antagonista– Um inverno frio e sombrio “Winter is coming” é um dos bordões de Game of Thrones, o drama político mais comentado da temporada, e inspiração confessa de Filipe Martins, um dos assessores mais próximos do presidente da República. O lema permite várias interpretações, mas alerta que um líder há de sempre estar se preparado para as crises mais severas.
O Brasil é uma nação tropical, cujo inverno não assombra, mas os agostos causam calafrios. E traz na história – incluindo a recente – tempestades políticas oriundas de desastres econômicos. Reagindo aos protestos que tomavam o país, O Antagonista publicou um editorial em que tenta resumir o governo Bolsonaro até o momento. O Comentarista toma a liberdade para encerrar esta edição reprisando o texto na íntegra.1. Como (quase) todo mundo, estou na expectativa pela volta de Game of Thrones, série formidável que aborda, dentre muitos outros, um dos meus temas favoritos: o perigo de apostar todas as fichas no pseudo-realismo maquiavélico e na falsa esperteza pragmática.
— Filipe G. Martins (@filgmartin) April 15, 2019
A esta altura, dada a magnitude das manifestações de hoje, está claro que os protestos não são apenas contra os cortes — ou bloqueios — na educação. São — ainda de maneira difusa — contra um governo que, em quatro meses e meio, vem se mostrando inepto para enfrentar os enormes desafios que o país impõe. Um governo que conspira contra os seus melhores integrantes, desnorteia o seu próprio partido no Congresso, confunde realidade com redes sociais e tem um desequilibrado como guru. Um governo no qual reina a cacofonia mais absoluta. Um governo que abre caminho, enfim, para que o pior da política brasileira atue cinicamente em reação ao descalabro geral. Inclusive organizando protestos que podem avolumar-se. Não adianta xingar quem faz o diagnóstico. É preciso corrigir rumos urgentemente. O Antagonista, em “Os protestos de hoje são contra um governo que vem se mostrando inepto”
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