Com quantas bengalas se faz um STF?
Entenda como a briga pela composição do STF pode ampliar ou reduzir os poderes do governo Bolsonaro.
Quando, em 15 de março de 2015, o Brasil viveu o primeiro grande protesto pelo impeachment, Dilma Rousseff adiava pelo nono mês consecutivo a escolha do substituto de Joaquim Barbosa. Um mês depois, a presidente indicaria ao STF um nome controverso: Edson Fachin, magistrado que tivera papel ativo na eleição da petista.
Naquele ritmo, o PT concluiria o quarto mandato na Presidência da República nomeando dez dos onze membros da corte. Temendo o uso partidário do Supremo, a Câmara Federal aprovou a “PEC da Bengala“, como ficou conhecida a emenda constitucional 457/05, que ampliava de 70 para 75 anos a idade limite para aposentadoria de um membro da Suprema Corte.
Com o novo texto, Fachin de fato se tornou o último indicado por Dilma, o processo de impeachment se iniciou no ano seguinte e o resto é história.
– Um STF sem bengala
Sem a PEC da Bengala, ao menos quatro ministros que hoje compõem o STF já estariam aposentados.
- Celso de Mello, em novembro de 2015
- Marco Aurélio, em julho de 2016
- Ricardo Lewandowski, em maio de 2018
- Rosa Weber, em outubro de 2018
Integrante da bancada evangélica, o deputado Sóstenes Cavalcante, do DEM, quer o apoio do presidente para propor aposentadoria compulsória aos ministros após 20 anos de serviço. O AntagonistaSe aprovada, Bolsonaro teria condições de nomear até 5 dos 11 ministros do Supremo, substituindo:
- Celso de Mello, de imediato
- Marco Aurélio, de imediato
- Gilmar Mendes, em 2022
- Ricardo Lewandowski, num eventual segundo mandato
- Cármen Lúcia, num eventual segundo mandato
Como o Centrão pretende impedir que Jair Bolsonaro indique ministros para o STF durante o seu mandato? Ampliando a idade máxima para ministros se aposentarem de 75 para 80 anos. O Antagonista
Oitenta anos para o STF, que gente criativa! Façam isso, continuem boicotando o Governo e o Moro. As ruas darão o que vocês merecem. Fátima Casagrande, uma comentaristaCaso a ideia ganhe corpo, Bolsonaro passaria todo o primeiro mandato sem mexer na composição da Suprema Corte. E, numa eventual reeleição, só conseguiria nomear dois ministros. Dias Toffoli e Alexandre de Moraes poderiam continuar no cargo até 2047 e 2048 respectivamente – e se uma nova PEC da Bengala não ampliar ainda mais o limite. Todo esse casuísmo, entretanto, é só mais uma das formas encontradas por políticos para se blindar da Lava Jato. Contra a operação, apelam até mesmo a um jabuti. Para entender o caso, basta continuar a leitura clicando AQUI.
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