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Os 28 erros de ‘Democracia em Vertigem’

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Redação O Antagonista
9 minutos de leitura 20.06.2019 18:00 comentários

Os 28 erros de ‘Democracia em Vertigem’

A vertigem é toda dos petistas, que ainda não entenderam nada do que aconteceu.

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Redação O Antagonista
9 minutos de leitura 20.06.2019 18:00 comentários 0
Os 28 erros de ‘Democracia em Vertigem’
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O autodenominado ‘documentário’ Democracia em Vertigem estreou nesta quarta (19) na Netflix.

Trata-se de mais uma peça de propaganda na ampla e sofisticada campanha internacional do PT para enganar gringos a respeito do impeachment de Dilma e da prisão de Lula.

Para que você não precise ter o desgosto de assistir, confira neste texto os erros, omissões e até algumas revelações do ‘documentário’.

1. O sindicato

O filme abre com imagens gravadas no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em abril de 2018.

Fica claro por que Lula desafiou por duas noites seguidas a ordem de prisão: para gravar imagens bonitas para esquerdistas gringos.

2. Autocontradição

Nesta parte, a narradora resume a história do Brasil em poucas frases. Diz que a democracia voltou após 21 anos de ditadura, omitindo o papel de Dilma Rousseff, que atuou para transformar a ditadura de direita em ditadura de esquerda. Depois, diz: “aqui estamos, com uma presidente destituída, um ex-presidente preso e o país avançando rapidamente ao seu passado autoritário”.

Na verdade, Dilma foi demitida por um mecanismo democrático, o impeachment; e Lula está preso pelo fato de que cometeu crimes. Nos países ditatoriais, aí sim, é inconcebível derrubar líderes ou prendê-los, exceto pela violência.

3. Omissão 

Lula aparece liderando as greves do ABC.

A autora omite o depoimento de Romeu Tuma Jr., que contou que Lula era um agente duplo, que passava informações privilegiadas ao delegado Romeu Tuma sobre movimentações dos sindicalistas e fazia o jogo das montadoras.

Também omitiu o relato de Emílio Odebrecht, que contou em delação premiada que Lula, já no fim dos anos 70, o ajudou a “ter uma relação diferenciada com os sindicatos”.

4. Pavor inexistente

Sem citar nenhuma fonte, Petra Costa diz se lembrar do medo de “não deixarem Lula tomar posse”.

Na verdade, FHC coordenou um amplo processo de transição, inclusive lançando esforços para que Lula visitasse George W. Bush antes mesmo da posse. A história é contada com detalhes no livro 18 Dias, de Matias Spektor. A visita de Lula à Casa Branca ajudou a acalmar os mercados.

Foi nessa ocasião que Lula usou um broche do PT para encontrar Bush. O americano estranhou, pensando que o novo líder usaria a bandeira do Brasil.

5. Passividade

Lula toma posse e “em pouco tempo estoura o mensalão”, diz a narradora. “Seu partido é acusado de comprar votos”.

O texto está na voz passiva (é acusado). O PT não parece ter feito nada. E Roberto Jefferson não aparece. Nem Joaquim Barbosa. Ou Delúbio Soares.

6. Confusão

“Cotados para sucessores de Lula, os ministros Dirceu e Palocci renunciam”, diz o texto. É uma contração enganosa. Dirceu saiu do governo em junho de 2005; Palocci, apenas em março de 2006.

Palocci saiu por causa do caso Francenildo. Mas Petra Costa, que entrevistou algumas pessoas comuns e humildes para seu filme, não ouviu o caseiro.

7. Tragédia grega

“A descoberta do pré-sal logo se revelaria uma maldição”, diz a narradora. Novamente, o PT é sujeito passivo das circunstâncias, em vez de autor da praga.

8. Uma simples eleição

Petra e outros petistas celebram na Avenida Paulista a eleição de Dilma em 2010.

Tudo indica ter sido uma eleição tranquila: Erenice Guerra não é citada.

9. Aguardando a vez

A narração dá a entender que Temer aguardava sua vez de governar já na posse de 2011. Não explica por que em 2014 Dilma decidiu repetir a chapa com ele, em vez de usar sua suposta popularidade para lançar uma chapa puro-sangue e descartar o PMDB.

O ‘documentário’ também não cita o momento em que Dilma entregou a articulação política a Temer, em abril de 2015.

10. O PT não significa nada

Começam os protestos de 2013. Na narrativa, “as ruas acordam após 20 anos”, sendo que até lá “o sistema permaneceria intacto”. É uma contradição grave, já que essas frases significam que as eleições vencidas pelo PT, tão celebradas pelos protagonistas e autores do filme, não significaram nada, nem as multidões celebrando a posse de Lula, em janeiro de 2003.

11. Cadê os petistas?

A narradora diz que a Lava Jato prendeu várias pessoas, “incluindo membros do PT”. 

As imagens mostram Renato Duque e Alberto Youssef sem legendas. O espectador gringo, que não sabe quem são essas pessoas, pode entender que eles são petistas. Não são.

Nenhum petista preso é mostrado nesse momento do filme. Nem João Vaccari Neto.

12. Dilma ‘santa’

A narradora diz que “muitos” culpam Dilma por não interferir nas investigações. Ela não diz quem são esses “muitos”, mas a afirmação é falsa.

Para citar um exemplo, delação premiada de Diogo Ferreira – braço direito do senador Delcídio do Amaral – confirmou a estratégia de nomear Marcelo Navarro ao STJ para proteger Marcelo Odebrecht.

Delcídio era líder do governo Dilma no Senado.

Foi só depois do impeachment de Dilma que o próprio Marcelo Odebrecht fez também sua delação.

13. Aécio relevante?

O ‘documentário’ afirma que Aécio “começa a pedir o impeachment de Dilma” depois da auditoria das urnas. É falso.

A auditoria foi realizada em outubro de 2015. Em março de 2016, em protesto pelo impeachment, Aécio ainda dizia haver “três caminhos” para Dilma, incluindo a renúncia e a cassação pelo TSE. Na Avenida Paulista, Aécio e Alckmin foram vaiados, precisamente por terem se omitido ao longo de quase todo o processo para tirar Dilma.

14. Faltou sim

Criticando a condução coercitiva, a narradora afirma que Lula “nunca se negou a depor”. É falso. Em fevereiro de 2017, a defesa de Lula impetrou habeas corpus para não prestar depoimento ao Ministério Público de São Paulo na investigação sobre o triplex.

15. Virando ministro

Lula está no Alvorada em 16 de março de 2016 quando avisa a alguém (provavelmente Jaques Wagner) que será ministro da Casa Civil. Está mais do que claro, até na narrativa do ‘documentário’, que ele faz isso para evitar ser preso.

16. Cadê a jararaca?

Janaina Paschoal faz seu famoso discurso contra “a República da Cobra”. Ela fazia referência a Lula; foi ele próprio quem se chamou de “jararaca” no dia da condução coercitiva, no mês anterior. Sem essa referência, o gringo que assiste ao discurso de Janaina não entende parte importante da história.

17. Mas heim?

Petra Costa, falando do processo de impeachment, diz que “pela primeira vez em mais de 20 anos” a população prestava atenção no que acontecia no Congresso. É como se o mensalão e todas as CPIs jamais tivessem acontecido.

18. O acerto de Dilma

Dilma diz que “a hegemonia pela direita era crescente. Ela não estava posta inteiramente em 2014, quando nós fizemos o acerto“. A situação teria mudado com a eleição de Cunha, em fevereiro de 2015.

A pergunta importante é: que acerto era esse?

19. Apelando pra fora

Lula está em seu gabinete paralelo no hotel mais caro de Brasília, montado para tentar evitar o impeachment. Ele sugere ao interlocutor a criação de uma “comissão internacional” para investigar a fraude fiscal de Dilma. O esforço já era o de politizar e internacionalizar o caso, em vez de prestar contas ao Congresso, à Justiça e ao povo brasileiros.

20. Preocupação com os gringos

Dilma bate na mesma tecla: “como é que podemos aparecer assim perante o mundo?”. A preocupação não é com os brasileiros.

21. Meirelles novidade?

Com uma trilha sonora sinistra, Henrique Meirelles aparece como uma grande novidade, formando parte do novo governo Temer. Meirelles foi presidente do Banco Central do primeiro ao último dia do governo Lula.

22. Sem Lula na gravação

Como 13 de cada 13 petistas, Petra Costa omite um trecho importante da famosa conversa entre Romero Jucá e Sergio Machado: “o Michel assume, faz um acordo, protege o Lula, todo mundo”.

23. Falando demais

Lula conta da dificuldade de fazer a revolução “com liberdade de imprensa” e com “o Congresso funcionando plenamente”. Ou seja, características da democracia são apenas obstáculos. É também um acinte dizer que o Congresso funcionava “plenamente” em época de mensalão e petrolão.

24. O ‘PowerPoint’

Em vários momentos do filme, Petra Costa recorreu a reportagens de arquivo do Jornal Nacional. Curiosamente, na hora de mostrar a denúncia do triplex, ela se esqueceu de incluir a reportagem de 2010 a respeito. Certamente apenas um descuido…

25. Acordo só de Aécio

Graças a um acordo com senadores, diz Petra Costa, Aécio protegeu seu mandato e sua liberdade. Ela omite do espectador a barbaridade que Lewandowski fez para proteger os direitos políticos de Dilma após o impeachment. Coube aos eleitores mineiros rejeitar a tentativa dela de conquistar o foro privilegiado.

26. Fazendo reféns

Lula diz feliz que seu refúgio no sindicato é garantia de que a Polícia Federal não vai cumprir seu “mandato” (sic) de prisão. É uma ofensa ao Estado de Direito que o petismo diz defender.

27. Cadê o autoritarismo? 

A narração lamenta o perigo à democracia pelo fato de que o partido da autora perdeu as eleições e de que vários bandidos (incluindo Eduardo Cunha) foram presos. Curiosamente, o povo nas ruas tem ampla participação em todos os lados, o que parece ser, justamente, democracia.

28. E daí?

Crítica de PowerPoints, Petra Costa termina sua peça de propaganda com um slide.

Ambas as frases mostram a força da democracia no Brasil. A vertigem é toda dos petistas, que ainda não entenderam nada do que aconteceu.

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