Horror cubano
Além de desgraçar a vida da própria população, o governo de Cuba exporta instabilidade para outras nações da América Latina.
Há pelo menos dois anos, a ditadura cubana vem deportando opositores em massa. Conforme matéria de Duda Teixeira para a Crusoé, o movimento se intensificou em 2019, tendo Trinidad e Tobago e principalmente a Guiana como destinos dos exilados.
Desde as tentativas de diálogo com a gestão Obama, o noticiário se anima com o que seria uma guinada democrática de Cuba. Mas um olhar mais atento leva à conclusão de que a situação segue distante da normalidade.
A safra de açúcar na ilha foi uma das piores em 120 anos. O racionamento atinge até os produtos mais básicos, como frango, ovos, arroz, feijão e sabão. E os direitos humanos enfrentam problemas que pareciam superados – uma parada LGBT que ocorria havia 11 anos foi reprimida em 2019.
Cuba cancelou a marcha anual contra a homofobia, por causa da “novas tensões no contexto regional e internacional”. É um golden shower nos defensores da ditadura cubana. O Antagonista, em 8 de maio de 2019Mas há um aspecto ainda mais incômodo: Cuba reprisa na América Latina o papel de fonte de instabilidade que, na Europa, pertence à Rússia. – Desestabiliza a Venezuela Contando com a simpatia de boa parte da imprensa mundial, o presidente cubano trabalha a narrativa segundo a qual a oposição a Nicolás Maduro seria uma “direita pró-imperialista, com a cumplicidade dos Estados Unidos e governos lacaios da região“.
É verdade que, a pedido de Juan Guaidó, os Estados Unidos impõem sanções à Venezuela. Mas Miguel Díaz-Canel entende bem de “cumplicidade internacional“. Conforme detalhou Duda Teixeira na Crusoé, uma denúncia apresentada ao Tribunal Penal Internacional afirmava que a maioria dos médicos cubanos que cumpriam missões fora da ilha era forçada a manipular estatísticas – nove em cada dez eram obrigados a participar de reuniões políticas.Rechazamos este movimiento golpista que pretende llenar de violencia al país. Los traidores que se han colocado al frente de este movimiento subversivo, han empleado tropas y policías con armas de guerra en una vía pública de la la ciudad para crear zozobra y terror #SomosCuba https://t.co/n1jIoABPvi
— Miguel Díaz-Canel Bermúdez (@DiazCanelB) April 30, 2019
Médicos cubanos e funcionários da Opas manipulavam estatísticasNa Venezuela, os profissionais de Cuba chegam a identificar nos prontuários quem seriam os opositores a Maduro para que não recebam tratamento médico adequado. A intimidade entre os ditadores seria tamanha que, de acordo com um ex-chefe da inteligência militar da Venezuela, Maduro chegou a pagar fortunas por sacrifícios religiosos em Cuba. – Desestabiliza o Brasil A instabilidade também abala o Brasil. Pela lei brasileira, a atuação dos cubanos no Mais Médicos poderia ser compreendia como trabalho análogo à escravidão.
Se a ditadura de Cuba tivesse acertado com o governo brasileiro de manter os médicos aqui, isso seria moralmente aceitável? Se a resposta for sim, transformemos, então, o Brasil num imenso campo de trabalhos forçados, por meio da importação de trabalhadores semiescravos provenientes de ditaduras. O Antagonista, em 12 de maior de 2019Mas, como destaca Jair Bolsonaro, Cuba retirou os médicos do Brasil antes mesmo de o atual governo se iniciar.
Quem acabou com o Mais Médicos não fui eu. Eles resolveram bater em retirada. Antes de eu assumir, o ditadorzão de Cuba chamou a galera de volta. Jair BolsonaroNa prática, a saída abrupta legou ao governo Bolsonaro uma crise que vinha sendo lentamente contornada pelo governo Temer. Mas o socialismo cubano é problemático de tal forma que 2 mil médicos continuaram no Brasil mesmo sem a documentação necessária para o exercício da profissão. – Neutralizar fatores externos Hamilton Mourão explicou em entrevista que a Venezuela só voltará a ser uma democracia quando fatores externos forem neutralizados. E esses fatores são justamente Rússia e Cuba.
Há 20 mil cubanos lá dentro que controlam os serviços de inteligência e as milícias. Está nas mãos deles. Cuba recebe da Venezuela em torno de 120 mil barris de petróleo por dia, que ela não usa, que ela vende no mercado spot em Roterdã e em outros lugares. É daí que Cuba tira dinheiro. Então, alguém precisa chegar nos cubanos e dizer: “Olha, meu amigo, você vai continuar a receber teus 120 mil barris de petróleo, mas tira a sua turma de lá”. A negociação tem que ser nessa linha. Hamilton MourãoIsso explica o que fez o Grupo de Lima convidar Cuba a participar das reuniões que buscam uma saída para a Venezuela.
Os países do Grupo de Lima decidiram fazer as gestões necessárias para que Cuba participe da busca de uma solução para a crise na Venezuela. Néstor Popolizio, chanceler peruano– Fortalecer a democracia Há em Cuba uma frente democrática ganhando corpo. Mas ela ainda precisa explorar brechas na constituição comunista escrita a portas fechadas pelo único partido da ditadura. Para tanto, articula-se “de porta em porta”, pois teme a repressão caso use as ruas para colher assinaturas. No Brasil, um gesto amigável foi observado quando o embaixador cubano buscou o presidente do PSL para abrir um canal de diálogo com o governo Bolsonaro.
Embaixador de Cuba tenta aproximação com bolsonaristasMas Bolsonaro tem interesse em abrir o que chama de “caixa-preta do BNDES”. A expectativa é de que venham a público detalhes sórdidos dos contratos que Lula e Dilma Rousseff articulavam no exterior. E isso inclui a obra do Porto de Mariel, em Cuba. Antes de se voltar ao “horror cubano”, O Comentarista dedicou uma edição ao “horror venezuelano”. Para conferir, basta continuar a leitura clicando AQUI.
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