A Lava Jato lá fora
Os desdobramentos da operação não mexeram apenas com o Brasil, mas com outros 17 países de três continentes.
A Justiça peruana homologou uma delação premiada com a Odebrecht. O acordo aborda o pagamento de propinas e financiamento ilícito de campanhas eleitorais em troca de contratos públicos. Com isso, o Peru se tornou a oitava nação com a qual a empreiteira conseguiu colaborar.
Isso só foi possível graças à Lava Jato, cujos desdobramentos já impactaram 18 países em três continentes: América, África e até Europa.
De uma forma geral, o esquema consistia em direcionar verbas do BNDES para obras que, no exterior, seriam tocadas por empreiteiras brasileiras. Para tanto, um lobista com boa entrada no governo nacional servia de ponte aos governos estrangeiros. Por vezes, com uma máquina de propaganda que garantia contratos superfaturados e a vitória em eleições lá fora.
O maior lobista seria Lula. A tal caixa-preta do BNDES, tão cobrada pelo governo Bolsonaro, revelaria as entranhas da maioria desses contratos.
O banco se defende alegando que tudo já se encontra exposto com a transparência exigida em lei. Mas o presidente da República não se convenceu disso. E a desconfiança recentemente custou o cargo de Joaquim Levy.
É preciso destacar: para ser verdade que a Lava Jato agia meramente por perseguição ao PT, não faria sentido o trabalho da força-tarefa mexer tanto com nações em que o petismo inexiste.
E mexeu bastante.
– América do Sul
ARGENTINA
A Odebrecht teria pago US$ 35 milhões em propina de três projetos ligados ao governo de Cristina Kirchner.
O documento do Departamento de Justiça americano indica o pagamento de US$ 35 milhões em propinas a políticos na Argentina. Embora não cite nomes, a Lava Jato já sabe há tempos – antes da delação – que se trata de Ricardo Jaime, ex-secretário de Transportes de Nestor e Cristina Kirchner. O Antagonista, em 21 de dezembro de 2016CHILE Segundo delação de Duda Mendonça, a OAS financiou a campanha de Michelle Bachelet, que presidiu o país por um total de 8 anos.
Duda Mendonça contou ao MPF que a OAS financiou a campanha da socialista Michelle Bachelet, no Chile. A empreiteira de Léo Pinheiro também bancou viagem de Lula ao país vizinho para um encontro com a presidente chilena. O Antagonista, em 28 de janeiro de 2017COLÔMBIA A Odebrecht teria destinado por volta de US$ 11 milhões a políticos locais, incluindo Juan Manuel Santos, que presidiu o país até 2018.
Três ex-diretores da Odebrecht pediram “perdão” à Colômbia e se comprometeram a fornecer informações sobre crimes cometidos pela empreiteira no país vizinho. O Antagonista, em 16 de janeiro de 2019EQUADOR A Odebrecht calcula que pagou subornos de US$ 33,5 milhões para ter acesso facilitado a obras públicas no país.
A empreiteira já admitiu ter pago mais de 33 milhões de dólares em propinas a funcionários públicos em troca de obras estatais. O Antagonista, em 21 de agosto de 2017PERU A Odebrecht teria pago US$ 20 milhões de dólares em propina pela construção da Estrada do Pacífico.
Jorge Barata, ex-diretor da Odebrecht no Peru, declarou a procuradores peruanos que a empreiteira subornou não só presidentes do país, mas também governadores para obter contratos em obras públicas. O Antagonista, em 25 de abril de 2019VENEZUELA Só durante o governo de Hugo Chávez, autoridades locais teriam recebido US$ 98 milhões da Odebrecht.
A Venezuela de Hugo Chávez e Nicolás Maduro foi o lugar em que a ORCRIM internacional formada pela Odebrecht e pelo PT pagou mais propinas. O Antagonista, em 21 de dezembro de 2016– América Central ANTÍGUA E BARBUDA Uma filial do Meinl Bank Antígua foi adquirida por empresários ligados à Odebrecht e à Itaipava para facilitar o repasse ilegal de valores que somaram US$ 1,6 bilhão.
O Meinl Bank, em Antígua e Barbuda, comprado pela Odebrecht, não era banco coisa nenhuma, mas um escritório de fachada para repassar propina. Tinha só três empregados num pequeno escritório e a sua sede em São Paulo ficava no consulado de Antígua e Barbuda. O Antagonista, em 28 de julho de 2017CUBA Segundo Marcelo Odebrecht, as obras do Porto de Mariel só foram possíveis pela intermediação de Lula. Somente do BNDES, saíram US$ 682 milhões.
Se é para banalizar o adjetivo, como fizeram em relação ao encontro entre Obama e o tiranete cubano, histórico será o dia em que tivermos todas as informações sobre o financiamento do BNDES, no valor de 682 milhões de dólares, para a construção do Porto de Mariel, em Cuba. O Antagonista, em 14 de abril de 2015EL SALVADOR De acordo com a Odebrecht, João Santana foi utilizado para irrigar o caixa dois da campanha de Mauricio Funes, que governou o país até 2014.
O presidente de El Salvador, Mauricio Funes, foi eleito com dinheiro roubado da Petrobras. Isso já se sabia desde a vigésima-terceira fase da Lava Jato, a Acarajé. Mas foi confirmado agora pelos delatores da Odebrecht. O Antagonista, em 3 de dezembro de 2016GUATEMALA As propinas da Odebrecht durante o governo de Otto Pérez Molina somariam US$ 18 milhões.
Segundo documento dos procuradores dos Estados Unidos, divulgado hoje, foram mais de 100 contratos fraudulentos em “Angola, Argentina, Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru e Venezuela”. O Antagonista, em 21 de dezembro de 2016PANAMÁ Um esquema armado pelo FPB Bank com a Mossack Fonseca teria somado US$ 59 milhões em propina durante o governo de Ricardo Martinelli.
O delegado Igor Romário disse há pouco na coletiva de imprensa que a Operação Caça-Fantasma avançará sobre os clientes da Mossack Fonseca e do FPB Bank. O Antagonista, em 7 de julho de 2016REPÚBLICA DOMINICANA A Odebrecht teria pago um total de US$ 92 milhões em propina em um período que invade os governos de três presidentes distintos.
Com mais de US$ 92 milhões em propina a membros do governo da República Dominicana, a Odebrecht conseguiu interferir até no orçamento e na aprovação de empréstimos para obras de seu interesse. O Antagonista, em 21 de dezembro de 2016– América do Norte MÉXICO Em acordo de leniência, a Odebrecht confirmou que pagou US$ 10,5 milhões em propina a políticos locais.
O esquerdista Andrés Manuel López Obrador, que ganhou ontem a eleição presidencial no México, afirmou que “erradicar a corrupção e a impunidade” será sua missão principal. Segundo a BBC Brasil, o discurso reflete uma campanha presidencial marcada por denúncias contra a Odebrecht O Antagonista, em 2 de julho de 2018– África ANGOLA Emílio Odebrecht disse que pediu a Lula para que intercedesse em favor da Odebrecht no país. Delatores entregaram que uma consultoria no valor de R$ 12 milhões foi contratada a pedido do chefe de gabinete de Guido Mantega.
Lula, Antonio Palocci, Marcelo Odebrecht e Paulo Bernardo tornaram-se réus. Segundo a denúncia do MPF, acatada hoje pelo juiz Vallisney de Oliveira, o ex-presidente e os ex-ministros receberam propina da construtora Odebrecht em troca de decisões de interesse do grupo, como o aumento da linha de crédito à exportação para Angola. O Antagonista, em 6 de junho de 2019MOÇAMBIQUE As suspeitas giram em torno da participação da Andrade Gutierrez na construção da barragem de Moamba Major.
O BNDES concedeu 2,9 bilhões de dólares em financiamentos para a Andrade Gutierrez realizar obras de engenharia no exterior de 2007 a 2015. Os serviços foram prestados em Angola, Venezuela, República Dominicana, Gana e Moçambique. O Antagonista, em 2 de junho de 2015– Europa NORUEGA Suspeita-se que ex-funcionários da Petrobras usavam empresas norueguesas para desvios de propina para contas na Europa.
A primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg, no encontro com Michel Temer, disse: “Estamos preocupados com o processo da Lava Jato, esperamos uma limpeza e que sejam encontradas boas soluções.” O Antagonista, em 23 de junho de 2017PORTUGAL Autoridades locais desconfiam que Lula fazia lobby em favor da Odebrecht no país.
Para os procuradores portugueses, segundo o Observador, “não há dúvidas que, analisadas as contas bancárias onde essa avença mensal do GES era depositada, tais pagamentos reverteram em benefício de José Dirceu para alegadamente compensar as suas intervenções junto das autoridades brasileiras a propósito do negócio de compra (pela Portugal Telecom, umbilicalmente ligada ao Espírito Santo) de uma participação de 22% na Oi/Telemar”. O Antagonista, em 3 de março de 2017
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