5 relatórios do Coaf
Por que será que tantos políticos querem devolver o Coaf para o Ministério da Economia?
Por 14 votos a 11, a comissão mista do Congresso que analisa a reforma administrativa aprovou na quinta (9) a transferência do Coaf para o Ministério da Economia.
O texto ainda pode sofrer alterações nos plenários da Câmara e do Senado, e, portanto, a mudança não está totalmente definida.
Em dezembro de 2018, segundo reportagem da BBC, o Coaf estava com 37 servidores. Em entrevista à TV Globo no fim de abril, Moro contou que estava aumentando a estrutura para 65 pessoas. Nos primeiros quatro meses do ano, o número de relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Coaf também aumentou: em 25% em relação ao mesmo período de 2018, chegando a 2 735 relatórios.
Por que será que tantos políticos querem tirar o Coaf de Sergio Moro? Relembre 5 investigações recentes que contaram com o trabalho do Coaf.
1. O Mensalão e Marcos Valério

Relatório do Coaf publicado em 2005 apontou que o publicitário Marcos Valério, apesar de não constar mais como sócio da DNA Propaganda, foi o responsável por “várias operações de retirada em espécie efetuadas pela empresa”.
Como publicou a Folha na época, os registros em poder do Coaf mostraram que os saques em dinheiro das contas das empresas de Marcos Valério não pareciam obedecer a um critério lógico. Em janeiro de 2004, por exemplo, ele retirou em espécie R$ 2,8 milhões de suas empresas. No mês seguinte, sacou R$ 500 mil.
O relatório foi produzido poucos dias depois da entrevista em que Roberto Jefferson denunciou pela primeira vez o mensalão.
2. José Janene e o nascimento da Lava Jato

O papel do Coaf no mensalão acabou ajudando na origem da Lava Jato. Segundo o livro Lava Jato, de Vladimir Netto, procuradores do MPF em Curitiba receberam um alerta do Coaf em 2006. Assessores do deputado federal José Janene “tinham feito movimentações suspeitas em suas contas bancárias: depósitos fracionados e saques de dinheiro em espécie”.
A informação ajudou a iniciar uma investigação que resultou no oferecimento de denúncia contra Janene por receber R$ 4,1 milhões em propina, para ele e para o PP.
Janene morreu em 2010. Anos depois, a investigação chegaria aos doleiros Carlos Habib Chater e Alberto Youssef, dando origem à Lava Jato.
3. Quatro chefes petistas

Em outubro de 2015, analistas do Coaf entregaram o Relatório de Inteligência Financeira 18.340. Com 32 páginas, apresenta todas as transações bancárias, com indícios de irregularidades, de vários investigados, entre eles Lula, Palocci, Pimentel e Erenice Guerra. O texto foi enviado à CPI do BNDES.
O documento mostra que em 2014 Lula aplicou um total de R$ 6,2 milhões num plano de previdência privada da Brasilprev, do Banco do Brasil. Também registra que entre 2011 e 2015 a empresa de palestras de Lula movimentou R$ 52,3 milhões: recebeu R$ 27 milhões e transferiu R$ 25,3 milhões. Da conta da L.I.L.S. saíram transferências para o bolso do próprio Lula e para seus filhos.
4. JBS e Geddel

Relatório do Coaf produzido em 2017 desvendou movimentações suspeitas de R$ 248 bilhões feitas pelo grupo J&F entre 2003 e 2017. O texta cita o ex-ministro Geddel Vieira Lima e relata movimentações financeiras de R$ 34 milhões dos pais dele entre 2011 e 2015.
Geddel foi preso em setembro de 2017, depois de a PF encontrar R$ 51 milhões em dinheiro vivo em um apartamento ligado a ele em Salvador. Ele está na Papuda até hoje.
5. Flavio Bolsonaro

Relatório do Coaf mostrou 48 depósitos de R$ 2 mil na conta do hoje senador Flavio Bolsonaro. Os depósitos foram feitos em cinco dias, em junho e julho de 2017, quando Flavio era deputado estadual.
Até hoje essa história segue mal explicada.
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