“Todo mundo tá com Ciro! Até Elmano”, provoca Ciro
Primeiro debate da campanha deste ano no Ceará foi travado na perspectiva da eleição presidencial e teve facções criminosas como tema central
O governador Elmano de Freitas (PT, à esquerda na foto) e o ex-governador Ciro Gomes (PSDB, à direita na foto) travaram um duro debate na noite de domingo, 9, no primeiro confronto desta campanha entre os aspirantes ao governo do Ceará.
Também convidado, o candidato Pedro Brito (Novo) não compareceu.
O debate foi travado a partir das críticas de Ciro à gestão de Elmano, que rebatia dizendo que fez mais do que o adversário em seus anos de governador.
O principal assunto abordado foi o domínio das facções criminosas no estado, que o petista alegou que começou no governo do adversário, em 1993. Ciro negou.
Todo o confronto foi permeado, como em outros estados, pela disputa presidencial. Elmano martelou o apoio a Lula durante toda a conversa, e Ciro disse que “se tirar a muleta [Lula], ele cai”.
O governador também repetiu diversas vezes que Ciro anda com “novos amigos bolsonaristas” e o chamou de “Cironaro”, em alusão ao ex-presidente Jair Bolsonaro, mas escorregou quando disse que Ciro precisa assumir suas novas alianças e que ele, Elmano, anda com “Ciro, Luizianne e Lula”, mencionando a deputada federal, que é ex-prefeita de Fortaleza, e o nome de Ciro, antigo aliado.
Nesse momento, é possível ouvir o ex-governador dizer ao fundo “eu não”. Após o debate, a equipe de Ciro brincou com o erro do governador nas redes sociais ao postar o trecho em que o petista teria declarado apoio sem querer ao adversário: “Todo mundo tá com Ciro! Até Elmano”.
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“Violência política contra mulheres”
O momento de maior tensão no debate ocorreu quando Elmano disse que Ciro foi condenado por violência política contra mulheres.
Em maio, a Justiça Eleitoral do Ceará determinou que Ciro pague indenização equivalente a 70 salários mínimos por declarações feitas em 2024 sobre a prefeita de Crateús, Janaína Farias (PT-CE), então suplente no Senado Federal.
Quando Janaína assumiu o mandato no Senado como suplente do ex-governador Camilo Santana, Ciro concedeu entrevistas nas quais a descreveu como “cortesã” e “assessora para assuntos de cama”, além de afirmar que sua função se resumia a “organizar as festas de Camilo Santana”.
Diante da declaração do governador no debate, Ciro pediu e recebeu um direito de resposta, no qual se explicou sobre a condenação eleitoral, da qual disse que está recorrendo.
“Elmano é advogado e ele sabe que cometeu uma injustiça e uma ofensa grave contra mim. Ele insinuou para você que eu fiz alguma agressão contra a mulher. Não, eu nunca fiz agressão contra mulher nenhuma. Eu fiz uma opinião política, denunciando a devassidão do Camilo Santana dentro do Palácio da Abolição, aliciando moças pobres para o baronato que eles financiaram. Isso virou esse abuso de poder e, ao denunciar isso, eles fizeram essa falcatrua de forçar um juiz eleitoral, que me condenou numa espécie de multa, numa pena pecuniária da qual estou recorrendo. Portanto, ele sabe que eu não sou condenado, até porque sabe o que eles queriam com isso”, disse Ciro.
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