SP investe R$ 62,7 mi em reabilitação de dependentes de drogas
Rede de casas terapêuticas amplia vagas após fim das cenas abertas de uso na capital; governo já acolheu 1.368 pessoas
O governo do Estado de São Paulo mantém 14 complexos de casas para recuperação de dependentes químicos em situação de rua, com capacidade total de 630 vagas distribuídas entre a capital, Grande São Paulo e interior.
O programa existe desde 2023 e, até o momento, já passou pelo serviço um total de 1.368 pessoas — parte delas encaminhadas durante as operações que extinguiram as cenas abertas de uso de drogas no centro da capital.
Quatro etapas até a autonomia
A permanência em cada complexo pode durar até dois anos, organizados em quatro fases sequenciais: Acolher, Despertar, Transformar e Caminhar. Em cada etapa, uma equipe multidisciplinar acompanha o residente com atenção psicológica, orientação financeira e encaminhamento para vagas de estudo e trabalho.
As unidades funcionam de forma articulada com Centros de Atenção Psicossocial (Caps), rede de saúde e assistência social, e o acompanhamento técnico continua após a conclusão do programa para reduzir o risco de recaídas.
A coordenadora de um dos complexos na zona sul da capital descreve o perfil predominante dos atendidos: “São pessoas que estão há muitos anos em situação de rua, que perderam referências básicas, como rotina, autocuidado e até vínculos familiares. Aqui, muitas vezes, inserimos essas pessoas novamente na sociedade”, disse à Agência SP.
Expansão e investimento
As unidades em operação estão nos municípios de São Paulo, Guarulhos, Osasco e São José do Rio Preto. Há previsão de abertura de novos complexos em São Vicente, Marília, Santo André e Ribeirão Preto. O investimento estadual no programa já soma mais de R$ 62,7 milhões.
O acesso ao serviço se dá pelo Hub de Cuidado ao Crack e Outras Drogas — estrutura voltada a emergências no centro de São Paulo —, pelos Caps ou por outras unidades de saúde e assistência social. As casas recebem maiores de 18 anos com transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas e histórico de vida nas ruas.
Em maio de 2025, a Rua dos Protestantes, última via ocupada pelo fluxo conhecido como Cracolândia, foi desocupada.
O encerramento das cenas abertas de uso resultou de ações integradas entre estado e prefeitura nas áreas de segurança, saúde, assistência social e urbanismo — com as casas terapêuticas como um dos pilares do atendimento às pessoas retiradas do local.
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