Senador pede convocação de delegado exonerado após operação para depor em CPI
Após relatório final da Operação Baest no ES, delegados envolvidos na investigação foram exonerados ou removidos de suas funções
O senador Magno Malta (PL-ES) protocolou nesta terça-feira, 3, um requerimento de convocação do delegado Romualdo Gianordoli, ex-subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo, para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, do Senado.
O colegiado investiga o modus operandi das organizações criminosas, as condições de instalação e o desenvolvimento delas em cada região do Brasil, além das respectivas estruturas de tomadas de decisão, de modo a permitir a identificação de soluções adequadas para o seu combate, principalmente por meio do aperfeiçoamento da legislação do país.
Malta quer que Gianordoli preste depoimento na condição de testemunha. Na justificativa do requerimento, o parlamentar afirma que a convocação do delegado é necessária para o pleno esclarecimento de fatos relevantes à investigação conduzida pela CPI.
“A Operação Baest, deflagrada pela Polícia Civil em maio de 2025, visou desarticular o suposto braço financeiro da facção criminosa Primeiro Comando de Vitória. O relatório final da operação, concluído em setembro, resultou no indiciamento do empresário Adilson Ferreira, cujo aparelho celular continha diálogos considerados suspeitos com o juiz federal Macário Júdice, indicando possível atuação do magistrado em procedimentos licitatórios no âmbito da administração estadual”.
Logo depois da conclusão do relatório, diz Malta, “diversos delegados diretamente envolvidos na investigação foram exonerados ou removidos de suas funções, entre eles o próprio Romualdo Gianordoli, cuja saída do cargo de subsecretário de Inteligência ocorreu em outubro de 2025″.
O senador ressalta que o delegado disse publicamente que sua exoneração ocorreu por causa do avanço das apurações sobre “um empresário da Serra”, em referência ao investigado Adilson Ferreira, e relatou que outros três policiais que faziam parte da equipe da operação também foram afastados.
“Segundo suas declarações, sua exoneração ocorreu apenas três dias após reunião na cúpula da Secretaria de Segurança destinada a tratar dos desdobramentos da Operação Baest”.
Magno Malta prossegue: “Embora o Secretário de Segurança Pública tenha atribuído as mudanças a desgastes institucionais e negado qualquer relação com os diálogos envolvendo o magistrado, a coincidência temporal entre a finalização do relatório e as alterações no comando das unidades responsáveis pela investigação suscita dúvidas que precisam ser esclarecidas“.
Ainda de acordo com o parlamentar, a relevância do tema foi reforçada em janeiro deste ano, quando o Ministério Público do Espírito Santo pediu o compartilhamento dos diálogos encontrados no celular do empresário com a Polícia Federal. A corporação pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito para apurar a relação entre o juiz Macário Júdice e autoridades estaduais.
“Nesse contexto, o depoimento do delegado Romualdo Gianordoli é imprescindível para que esta Comissão possa compreender, com precisão e transparência, as circunstâncias de sua exoneração, a dinâmica interna da equipe responsável pela Operação Baest, eventuais interferências administrativas que possam ter ocorrido e quaisquer outros elementos que contribuam para a elucidação de possíveis conexões entre agentes públicos e organizações criminosas”, acrescenta Malta.
O requerimento ainda precisa ser votado pela comissão, que tem como presidente o senador Fabiano Contarato (PT-ES) e como relator o senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
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