Senado pode votar nesta semana projeto que esvazia Lei da Ficha Limpa
Texto de autoria da deputada Dani Cunha, filha de Eduardo Cunha, reduz a duração de inelegibilidade ao antecipar a contagem
O Senado pode votar nesta terça-feira, 26, o projeto de lei complementar que reduz o prazo de inelegibilidade na Lei da Ficha Limpa. Aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa em agosto do ano passado, a proposta está como primeiro item da pauta da sessão deliberativa de amanhã do plenário, marcada para começar às 14h.
O projeto é de autoria da deputada federal Dani Cunha (União-RJ), filha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, e recebeu parecer favorável do relator, senador Weverton (PDT-MA), na CCJ e no plenário.
O texto reduz a duração de inelegibilidade ao antecipar a contagem. Esse prazo continua sendo de oito anos, mas passaria a ser contado a partir do momento da condenação e não depois do cumprimento da pena. As novas regras, caso o projeto vire lei, terão aplicação imediata, até mesmo para condenações já existentes.
A iniciativa também estabelece um teto de 12 anos para o período de inelegibilidade. Além disso, determina que é preciso comprovar o dolo quando o político comete atos de improbidade.
A proposta ainda amplia de quatro para seis meses o período de desincompatibilização de candidatos que são integrantes do Ministério Público, da Defensoria Pública, militares e policiais.
Segundo Weverton, o projeto “aperfeiçoa a legislação eleitoral sobre inelegibilidade, especialmente a alteração pertinente ao prazo de duração da inelegibilidade, aqui igualado e limitado em todas as hipóteses para coibir distorções que hoje ocorrem, em que um detentor de mandato sofre pena determinada, e suas implicações sobre inelegibilidade incidem de forma desigual, e assim, afrontam o princípio constitucional da isonomia”.
Crítica da Transparência Internacional
A Transparência Internacional, organização sem fins lucrativos anticorrupção, criticou em março o projeto de lei complementar.
“O Brasil precisa de ainda mais corruptos condenados voltando à cena? Alcolumbre acha que sim – tanto que colocou para ser votado, nesta tarde, um projeto que esvazia a Lei da Ficha Limpa e diminui o prazo de inelegibilidade dos condenados”, escreveu no X.
A organização relembrou que, quando foi aprovado na CCJ, Alcolumbre era o presidente do colegiado, e que o texto contou com apoios do PT – sigla do presidente Lula – e do PL – do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A votação da proposta no plenário, afirmou a Transparência Internacional, “é mais uma afronta à sociedade brasileira, que em 2010 levou o projeto da Ficha Limpa ao Congresso, com 1,6 milhões de assinaturas”. “Com grande risco de aprovação, a modificação da lei será mais um prego no caixão da luta contra a corrupção no Brasil”.
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Comentários (3)
Clayton De Souza pontes
25.08.2025 13:41Esse PL é um escárnio. Já não basta a blindagem dos vorruptos promovida pelo STF e ainda querem garantir o perdão na raiz? Vergonha de país da impunidade
Marcos Rezende
25.08.2025 12:56Só pensam em si mesmos. Para o bem do país nada. E o povo? Que vá à PQP. Bandidos são bandidos e tem quadrilha para se protegerem.
Fabio B
25.08.2025 12:17Germinado e incentivado pelo Mito.