“Se eu ganhar, só devo ao povo, que foi um exército”, diz Lula
Lula afirma que mobilização popular no segundo turno foi “quase inexplicável”, após votar em São Bernardo do Campo (SP)
O presidente Lula (PT) afirmou neste domingo, 25, após votar em São Bernardo do Campo (SP), que uma eventual vitória no segundo turno será resultado da mobilização popular registrada nas ruas durante a campanha.
O petista disse nunca ter visto, em 50 anos de vida política, um movimento semelhante e classificou o fenômeno como “quase inexplicável” do ponto de vista sociológico.
“Muito gratificante alguém que nasceu numa terra de pouca chance de sobrevivência conseguir sobreviver e estar concorrendo às eleições para obter para o povo brasileiro um quarto mandato. Não é habitual no Brasil nem em muitos países do mundo. E eu só estou aqui cumprindo esse papel por causa do povo brasileiro”, declarou Lula, a jornalistas.
“O povo sempre foi muito generoso comigo, e o que eu assisti hoje, o que eu assisti essa semana no segundo turno, seja em Minas Gerais, seja na Bahia, Pernambuco, no Maranhão, no Ceará, no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, Rio Grande do Sul e São Paulo, eu nunca tinha visto. Eu tenho 50 de vida política. Fiz muitas campanhas, todas as presidenciais desde que começou as eleições em 1989, todas para governador, e a campanha das diretas, que foi a campanha civil mais forte que nós tivemos neste país”.
Ele prosseguiu: “O que eu vi nesse segundo turno foi algo, eu diria do ponto de vista sociológico, quase que inexplicável. Não foi partido político, não foi sindicato, não foi igreja, não fui eu nem o [Geraldo] Alckmin, ou seja, o povo foi para a rua para defender as suas conquistas. Eu ganhando essas eleições, eu vou dizer para vocês, eu só devo a minha eleição ao povo brasileiro, que foi efetivamente um exército“.
Lula enfrenta o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno da eleição presidencial.
Flávio tem 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula, segundo pesquisa Datafolha divulgada no sábado, 24.
O resultado configura empate técnico, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Na pesquisa anterior, divulgada na última quinta-feira, 22, os dois candidatos apareciam empatados, com 50% dos votos válidos cada um. No início do segundo turno, Flávio estava quatro pontos atrás de Lula.
O levantamento ouviu 4.050 eleitores nos dias 23 e 24 de outubro, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa foi encomendada pela Folha e pela TV Globo e registrada no TSE sob o número BR-09540/2026.
Cunha prevê vitória de Flávio
O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos) afirmou na noite de sábado, 24, que espera uma vitória de Flávio sobre Lula por cerca de 3,4 milhões de votos no segundo turno da eleição presidencial, que ocorre neste domingo, 25.
“A minha previsão para amanhã é de vitória de Flavio por uma diferença de cerca de 3 milhões e 400 mil votos. Vamos ver se eu acerto o placar”, escreveu no X.
Cunha concorreu a deputado federal por Minas Gerais em 2026, mas não foi eleito, tendo recebido apenas 32.057 votos.
Como mostramos, ele colocou a culpa da derrota na Justiça Eleitoral. “Eu disputei a eleição para deputado federal por Minas Gerais, mas tive os meus votos anulados sub judice, em função de uma impugnação acolhida pelo TRE-MG, que simplesmente resolveu declarar uma lei complementar inconstitucional”, reclamou o ex-presidente da Câmara em artigo publicado no site Poder360, no qual tem uma coluna.
“Por óbvio, eu recorri, mas não houve tempo, até a data da eleição, de o meu recurso ser apreciado pelo TSE, o que culminou em um prejuízo eleitoral sem precedentes. Com a divulgação maciça de que os votos na minha candidatura não seriam válidos, aqueles que gostariam de votar em mim ficaram em uma situação de dúvida, pois ninguém gosta de perder o seu voto”, seguiu Cunha no texto, no qual alude ao exemplo do processo do ex-governador Anthony Garotinho, que conseguiu colocar seu nome na urna na disputa pelo governo do Rio de Janeiro apesar de estar inelegível.
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