Roberto Reis na Crusoé: O escudo feminino de Lula está cedendo
O presidente conserva apoio feminino. A eleição continua aberta. Mas sua vantagem encolheu, e o medo do adversário já não oferece a mesma proteção
Lula tem um problema que vai além da oscilação em uma pesquisa: a redução da vantagem entre as mulheres.
Um dos grupos que compensavam sua fragilidade eleitoral está oferecendo uma proteção bem menor que antes.
Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro apresenta uma comunicação mais organizada, com referências à família e ao cotidiano. Essas duas histórias merecem ser examinadas, pois acontecem juntas.
Em 2022, eu insistia que o estilo de Jair Bolsonaro cobrava um preço eleitoral. Eu assisti a uma pesquisa qualitativa com mulheres de classe D e E.
Algumas relataram o seguinte: Bolsonaro parece com meu marido. Chega bêbado em casa, grita, xinga, pede janta. Isso quando não me bate. E isso era uma imagem criada por sua agressividade nos gestos: as grosserias com jornalistas e os confrontos com adversárias produziam uma rejeição que a militância subestimava.
Aquilo que apoiadores interpretavam como autenticidade podia ser recebido como descontrole por quem desejava tranquilidade. O comportamento também entrava na urna.
E digo mais, é o que pode estar acontecendo com um outro candidato de terceira via agora em 2026, que vê em seu público feminino uma grande barreira.
A Quaest, divulgada neste 14 de setembro, mostra Flávio com 42% e Lula com 40% na simulação nacional de segundo turno. Há empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos.
Foram entrevistados 2.004 eleitores entre 10 e 13 de setembro. A sequência dos levantamentos ajuda a entender o movimento.
Entre as mulheres, em 5 de agosto, Lula tinha 47% e Flávio, 35%. Eram doze pontos de vantagem.
Agora, está em…
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