Republicanos avisa a Flávio que ficará neutro na eleição presidencial
Decisão deve ser referendada pela legenda nesta terça-feira, 4, durante a convenção nacional da sigla
O presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), avisou ao senador Flávio Bolsonaro (PL, foto) que o partido ficará neutro nas eleições presidenciais.
A decisão foi comunicada na noite de segunda-feira, 3, e deve ser referendada pela legenda nesta terça, 4, durante a convenção nacional da sigla.
Segundo a Folha de S.Paulo, Marcos Pereira mostrou a Flávio um levantamento interno da legenda, indicando que 17 de seus 27 diretórios regionais defendem a neutralidade.
Em um último esforço para atrair o Republicanos, o candidato à Presidência do PL ofereceu mais uma vez uma vaga de vice em sua chapa.
Um dos nomes cogitados por Flávio para vice é o da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques.
Ela é filiada ao Republicanos, mas seu nome enfrenta resistência dentro do próprio partido.
“Não tem voto”
Ao jornal O Globo, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu as qualidades técnicas de Daniella Marques, mas admitiu que ela “não tem voto”.
“Ela tem muito prestígio junto aos empresários e ela é muito competente. Agora, na minha opinião tem que ser alguém que tenha voto”, disse Valdemar.
A fala foi criticada por integrantes do núcleo mais duro do bolsonarismo. Para a ala mais alinhada ao clã, a decisão de lançar Daniella Marques para vice teve aval não somente de Flávio como de Jair, que hoje cumpre prisão domiciliar humanitária.
Na visão dessa ala, Daniella é extremamente confiável e, mesmo sem votos, teria condições de atrair o eleitorado evangélico e o Republicanos para o palanque de Flávio.
Procura-se um vice
Às vésperas do prazo final para a oficialização das chapas presidenciais, a escolha do vice-presidente se transformou em um calcanhar de Aquiles para as principais campanhas presidenciais.
Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) chegam a essa reta final de campanha sem um vice para chamar de seu. E Lula foi obrigado a manter Geraldo Alckmin (PSB) como vice.
O movimento contrasta com o peso que a vaga de vice ganhou nas eleições recentes. Mais do que um posto de substituição eventual do presidente, o cargo passou a funcionar como instrumento de ampliação de alianças, atração de segmentos eleitorais e sinalização de força política.
De 2002 para cá, a função era uma espécie de dote oferecido aos principais partidos em nome de uma coalizão mais ampla e consistente.
Este ano, porém, a definição desse nome tem se mostrado menos uma formalidade e mais um teste da capacidade de articulação dos candidatos.
Mas as noivas que normalmente são cortejadas este ano preferiram a solteirice. E, quando se fala em noivas, fala-se fundamentalmente de partidos do Centrão: MDB, Republicanos, PP, União Brasil.
Desta vez, essas siglas resolveram manter a neutralidade partidária com receio de que qualquer casamento neste momento possa ser um fracasso retumbante.
Leia em Crusoé: Procura-se um vice
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