Relator pede convocação de diretor da Meta na CPI do Crime Organizado
Alessandro Vieira diz que objetivo é esclarecer o possível uso de plataformas como fonte de financiamento para o crime organizado
O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), protocolou na quarta-feira, 19, um requerimento de convocação do diretor geral da Meta no Brasil, Conrado Leister, para prestar depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito.
Segundo o congressista, “o objetivo é o de oferecer esclarecimentos sobre a possível utilização sistemática das plataformas digitais da Meta (Facebook e Instagram) como veículos para a disseminação de atividades criminosas e como fonte de financiamento para o crime organizado”.
A comissão visa apurar a atuação, a expansão e o funcionamento de organizações criminosas no Brasil, em especial de facções e milícias.
Ele investiga o modus operandi das organizações criminosas, as condições de instalação e o desenvolvimento delas em cada região do Brasil, além das respectivas estruturas de tomadas de decisão, de modo a permitir a identificação de soluções adequadas para o seu combate, principalmente por meio do aperfeiçoamento da legislação do país.
Na justificativa do requerimento de convocação, Vieira afirma que a urgência da oitiva de Leister “baseia-se em recentes e graves revelações publicadas pela imprensa, com base em documentos internos da própria empresa”. “Tais documentos indicam que a Meta obteve um faturamento de aproximadamente 16 bilhões de dólares em 2024 proveniente da veiculação de anúncios de golpes e produtos proibidos. Este valor representaria cerca de 10% da receita anual total da companhia”, acrescenta.
Segundo o senador, para os trabalhos da CPI, o elemento crucial da investigação é “a natureza desses anúncios, que expuseram milhões de usuários a golpes de comércio eletrônico, investimentos falsos, cassinos ilegais e venda de produtos médicos proibidos”.
Ele prossegue: “Anúncios dessa natureza poderiam constituir fontes de receita e métodos de lavagem de capitais para facções e organizações criminosas, objeto de investigação desta Comissão. A exibição diária de 15 bilhões de anúncios classificados como de ‘alto risco’ sugere não se tratar de fraudes amadoras e isoladas, mas sim de uma atuação sistemática e industrial por parte de redes criminosas estruturadas”.
Para Vieira ainda, a Meta teria optado por um modelo de negócios que monetiza o risco, pois a empresa só bloquearia contas de anunciantes quando seu algoritmo indicasse 95% de certeza de fraude.
O requerimento de convocação ainda precisa ser votado pela Comissão Parlamentar de Inquérito. Se for aprovado, Leister será obrigado a comparecer para prestar os esclarecimentos.
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