Prisões por violência doméstica sobem 25% em SP
Levantamento da Secretaria da Segurança Pública mostra alta nos flagrantes entre janeiro e maio de 2026 em todo o estado
Policiais paulistas prenderam ou apreenderam em flagrante 9.183 suspeitos de violência doméstica nos cinco primeiros meses de 2026, número 25,5% superior aos 7.317 casos registrados no mesmo período de 2025.
Os dados são da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) e abrangem toda a rede de policiamento do estado, da capital ao interior. Em maio, o total chegou a 1.843 flagrantes, alta de 35,6% ante os 1.359 contabilizados em maio do ano anterior.
Interior lidera em volume, capital tem maior variação
Na Região Metropolitana de São Paulo, as ocorrências passaram de 2.130 para 2.759 entre janeiro e maio, um avanço de 29,5% na comparação anual. No interior paulista, onde o volume absoluto é maior, os flagrantes somaram 6.402 no período, ante 5.184 em 2025 — crescimento de 23,5%.
Segundo a SSP, o aumento das prisões está relacionado ao fortalecimento de políticas voltadas ao combate à violência contra a mulher e ao maior número de denúncias registradas pela população.
Feminicídios recuam em maio
Na contramão dos flagrantes, os casos de feminicídio caíram no mês. Foram 18 registros em maio de 2026, oito a menos que os 26 contabilizados em maio de 2025.
A coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher, delegada Cristiane Braga, disse à Agência SP que “o feminicídio normalmente é o último estágio de uma sequência de violências que, muitas vezes, já vinha sendo praticada contra a mulher. Se não há denúncia, não temos como saber que há um problema ali”.
Já a comandante-geral da Polícia Militar, coronel Glauce Cavalli, disse que “a Polícia Militar atua para proteger a mulher desde os primeiros sinais de violência. Nossa prioridade é prevenir, acolher e agir rapidamente para salvar vidas”.
Governo amplia rede de proteção
O estado tem expandido instrumentos voltados à segurança das mulheres. Entre eles estão a Cabine Lilás, que direciona chamadas feitas ao 190 a policiais mulheres capacitadas para o atendimento, o aplicativo SP Mulher Segura, a Patrulha SP Mulher Segura e o Espaço Lilás, instalado em unidades da Polícia Militar.
Uma parceria entre o governo estadual e o Tribunal de Justiça de São Paulo também ampliou o monitoramento eletrônico de agressores. De acordo com a SSP, já são 1.250 equipamentos disponíveis para esse fim, entre tornozeleiras eletrônicas e outros dispositivos de acompanhamento.
Mulheres em situação de violência doméstica podem buscar apoio pelo aplicativo SP Mulher Segura, pelo número 190 ou pela Central de Atendimento à Mulher, o 180, disponível em todo o país.
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