PGR pede manutenção da prisão de ex-assessor de Bolsonaro
Coronel Marcelo Câmara é acusado de tentar interferir no acordo de delação premiada de Mauro Cid
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a manutenção da prisão preventiva do coronel da reserva Marcelo Câmara, ex-assessor especial de Jair Bolsonaro. Ele é acusado de tentar interferir no acordo de delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid.
A manifestação foi enviada em resposta a um recurso da defesa que pedia sua soltura. Câmara foi preso em junho, após seu próprio advogado, Luiz Eduardo Kuntz, relatar ao STF conversas com Cid nas quais buscava informações sobre os depoimentos sigilosos do delator.
Nos diálogos entregues por Kuntz, feitos por meio de um perfil no Instagram atribuído a Mauro Cid, o advogado tenta convencer o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro a omitir Câmara de seus relatos.
Em uma das mensagens, Kuntz escreve: “Poxa… pede para ele falar sobre o Câmara vc sabe que ele não fez nada de errado”. Em outra, diz: “Aquela história da Professora o Câmara falou que se você disser que Professora é a Madre Tereza, ele passou a informação errada”.
Para Gonet, as mensagens indicam que Câmara tinha conhecimento da atuação do advogado e usou esse contato como estratégia de defesa. Segundo ele, isso representa risco à investigação e à aplicação da lei penal.
Monitoramento de Moraes
O STF também apura a conduta de Câmara no episódio em que ele monitorou os deslocamentos do ministro Alexandre de Moraes no fim de 2022.
Em depoimento, o militar alegou que a intenção era apenas ajudar Bolsonaro a ajustar a agenda e buscar “uma aproximação” com o ministro. Disse ainda que se sentiu “usado” por Mauro Cid, que teria feito uso das informações com outros propósitos.
A Polícia Federal considera Câmara como um dos responsáveis pelo “núcleo de inteligência paralela” que rastreava os passos de Moraes.
Durante interrogatório, Câmara negou envolvimento com qualquer plano golpista, inclusive com a suposta minuta que previa o sequestro e assassinato de autoridades como Moraes, Lula e Alckmin.
“Nosso objetivo ao receber essas solicitações do Cid era de ajustes de agenda e porque queríamos uma aproximação com o ministro”, disse. Ele afirmou ainda que apenas respondia aos pedidos de Cid, sem saber da finalidade.
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