PF intima Jaques Wagner para depor sobre caso Master
Ex-líder do governo Lula no Senado foi alvo de operação para apurar suspeitas de recebimento de propina envolvendo o Master
A Polícia Federal (PF) intimou o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo Lula (PT) no Senado, para prestar depoimento no âmbito da investigação relativa ao caso do Banco Master. O depoimento está marcado para 7 de agosto.
A PF deflagrou, em 18 de junho, uma nova fase da Operação Compliance Zero, desta vez mirando Jaques Wagner.
Ao todo, buscou-se cumprir 18 mandados de busca e apreensão que foram autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça na Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Um dos locais da busca foi o hotel Brasília Palace, na capital federal, onde Wagner reside.
Segundo a Polícia Federal, também buscou-se cumprir medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte.
“Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro”, informou a PF.
Também foi alvo da PF o empresário Augusto Lima, aliado de Daniel Vorcaro – dono do Banco Master. A corporação suspeita que Wagner atuou em favor de Lima no Senado e que, em contrapartida, teria recebido propina da ordem de 3,5 milhões de reais por meio de um imóvel registrado em nome de parentes, entre outras formas de pagamento. Wagner também teria recebido ingressos para shows e feito viagens em jatinhos bancados por Vorcaro.
A PF sustenta que Wagner atuou em favor do Master tanto na chamada “emenda Master”, que visava ampliar o limite coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), quanto em outra proposta para ampliar os limites de concessão de crédito consignado.
Em 22 de junho, a defesa do senador do PT apresentou ao Supremo Tribunal Federal um recurso para anular a decisão de Mendonça que autorizou a busca e apreensão em sua residência. O advogado Pablo Domingues disse, em nota, que aponta no recurso erros graves que comprometem a medida.
Segundo a peça, a medida está equivocada porque o senador nunca atuou no Congresso Nacional para favorecer o Banco Master.
Prova disso seria que a única emenda de sua autoria sobre o tema, apresentada à Medida Provisória 1106/2022, propunha limitar juros e proteger os consumidores, o contrário dos interesses do Master.
A defesa argumenta ainda que Wagner se posicionou contra a chamada “emenda Master”.
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