Terra do 1º ouro olímpico do surfe: a vila nordestina que guarda a maior mata atlântica sobre dunas do Brasil
A natureza preservada é uma das maiores riquezas da vila
Poucos lugares no litoral brasileiro reúnem um recorde ecológico e um recorde esportivo em menos de 30 km de orla. Baía Formosa, no extremo sul do Rio Grande do Norte, é a cidade natal de Ítalo Ferreira, primeiro campeão olímpico da história do surfe masculino, e abriga o maior remanescente de Mata Atlântica sobre dunas do país. A vila de pescadores mantém o ritmo lento que atrai quem busca praia sem multidão.
Por que Baía Formosa entrou no mapa mundial do surfe?
A cidade ficou conhecida em 2021, quando Ítalo Ferreira conquistou em Tóquio o primeiro ouro olímpico do surfe masculino, esporte que estreava nos Jogos. Segundo o Comitê Olímpico do Brasil, o atleta começou a surfar em Baía Formosa usando a tampa de isopor da caixa que o pai, pescador, usava para transportar peixe até os restaurantes da cidade.
Antes do ouro em Tóquio, Ítalo já havia sido campeão mundial pela World Surf League em 2019. O reconhecimento transformou as ondas locais em ponto de peregrinação para surfistas de todo o país, e escolinhas de surfe se multiplicaram entre a Praia do Porto e a Praia da Cacimba, onde as ondas longas facilitam o aprendizado.

Quais praias visitar em Baía Formosa?
São cerca de 27 km de litoral, com grande parte da orla ainda sem ocupação urbana. As praias combinam falésias, piscinas naturais na maré baixa e faixas de areia rodeadas por Mata Atlântica preservada.
- Praia da Cacimba: cartão-postal da cidade, com piscinas naturais na maré baixa e mirante da Praça Carlota Elisa para o nascer do sol.
- Praia do Porto: ponto dos surfistas, ondas consistentes e acesso pelo centro histórico.
- Praia do Sagi: pequena vila de pescadores ao sul, praia rústica com piscinas de água morna e travessia de balsa até a Paraíba.
- Praia de Bacupari: cerca de 2 km de extensão, farol e paisagem menos frequentada.
- Foz do Rio Guajú: divisa natural com a Paraíba, famosa pelos espetinhos de lagosta às margens do rio.

Quem quer conhecer praias, surfe e natureza em Baía Formosa, vai curtir este vídeo do canal Rolê a Fora, com mais de 5 mil visualizações:
Como visitar a maior Mata Atlântica sobre dunas do Brasil?
A Reserva Particular do Patrimônio Natural Mata da Estrela, mais conhecida como RPPN Mata Estrela, é a joia ecológica da região. De acordo com estudo publicado na SciELO, a área de 2.039 hectares é o maior remanescente de Mata Atlântica do estado e o maior sobre dunas litorâneas do país. A reserva foi oficialmente criada em 1990 e preserva árvores como pau-brasil, gameleira e jatobá.
Dentro da mata estão dezenove lagoas, sendo a Lagoa Araraquara, apelidada de Lagoa da Coca-Cola, a mais visitada. Segundo a Prefeitura de Baía Formosa, a coloração escura das águas vem da pigmentação das raízes das árvores e da composição química do solo, rico em ferro e iodo. A trilha principal até a lagoa dura cerca de uma hora e meia.

Qual a melhor época para conhecer a região?
O clima é quente o ano inteiro, com estação chuvosa concentrada entre março e julho. O período seco, de setembro a fevereiro, é a alta temporada e reúne mar mais calmo e céu aberto para as trilhas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Baía Formosa?
A vila fica a cerca de 100 km ao sul de Natal e a 110 km ao norte de João Pessoa. O acesso mais direto é pela BR-101 até Canguaretama, com entrada final pela RN-062. Também há linhas intermunicipais partindo da rodoviária de Natal, com viagem de aproximadamente 1h40.

Conheça a vila que virou referência olímpica sem perder o ritmo de vilarejo
Baía Formosa mantém a rotina de pescadores mesmo depois de virar terra de campeão olímpico. As falésias, a mata sobre dunas e as piscinas naturais compõem um dos litorais mais preservados do Nordeste, ainda distante do turismo de massa.
Você precisa descer o mapa do Rio Grande do Norte e conhecer Baía Formosa, a vila onde o surfe brasileiro nasceu de uma tampa de isopor.
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