PF encontra nome de Ramagem em planilha ligada ao bicheiro Adilsinho
Planilha encontrada reúne registros de supostos pagamentos, doações eleitorais e movimentações investigadas por lavagem de dinheiro
O nome do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) aparece em uma lista atribuída ao bicheiro Adilsinho, apreendida pela Polícia Federal (PF) durante uma operação de combate à lavagem de dinheiro.
O documento reúne registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras relacionadas ao esquema investigado, além de citar agentes políticos do Rio de Janeiro. Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, foi alvo de um mandado de prisão na operação, embora já esteja detido.
Apesar de ser citado, Ramagem não foi alvo da operação desta quinta-feira.
Segundo as investigações, o parlamentar cassado figura entre os nomes que estão sendo apurados pela PF.
De acordo com o G1, um arquivo identificado como “planilha 2” registra quatro pagamentos atribuídos aos identificadores “DEP RAMAGEM” e “DEP ALEXANDRE RAMAGEM”.
- 02/09 – DEP RAMAGEM – R$ 39.708,00
- 06/09 – DEP RAMAGEM – R$ 30.000,00
- 21/09 – DEP ALEXANDRE RAGEM – R$ 18.100,00
- 29/09 – DEP ALEXANDRE RAMAGEM – R$ 22.080,00
Os anos das supostas movimentações não foram incluídos.
5ª fase da Operação Unha e Carne
A operação aprofunda a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo “capo” da nova cúpula do jogo do bicho e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do estado do Rio.
Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, os policiais federais cumprem cumprem três mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão expedidos em endereços vinculados aos investigados nas cidades do Rio de Janeiro e São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
Além disso, foi determinado o sequestro de bens e valores até o montante de cerca de 22 milhões de reais.
Segundo a PF, a investigação teve início “após a apreensão de listas em poder do conhecido contraventor [Adilson Oliveira Coutinho Filho] indicarem a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais”.
“As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro”, acrescentou.
“As investigações prosseguem com a análise do material apreendido, a identificação do fluxo financeiro investigado e a apuração da participação de eventuais beneficiários, intermediários e operadores do esquema”, continuou.
A ação se insere no contexto da decisão do STF no âmbito do julgamento da ADPF 635/RJ (ADPF das Favelas) que, dentre outras providências, determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos.
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