Bacellar teria recebido R$ 4 milhões de bicheiro
Documentos citados pelo G1 registram quase R$ 4 milhões em pagamentos atribuídos ao ex-presidente da Alerj
O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), teria recebido quase R$ 4 milhões em pagamentos do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, segundo o G1.
De acordo com a reportagem, Bacellar seria identificado pelo codinome “Barba” em planilhas atribuídas ao grupo criminoso, usadas para registrar os repasses destinados ao então deputado estadual.
Os documentos apontam ao menos três pagamentos realizados por meio de depósitos em espécie, conforme os registros obtidos pela investigação.
Acusação e prisão
Bacellar foi preso em 3 de dezembro de 2025, acusado de repassar informações confidenciais a respeito de uma investigação policial que mirava o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, acusado de ter ligações com o Comando Vermelho (CV).
Documentos da PF apontam que o político da Alerj teria alertado o colega sobre a ordem de prisão. Bacellar, conforme o relatório, também instruiu o outro parlamentar a eliminar provas, indicando, por exemplo, que apagasse dados do telefone celular.
O plenário da Alerj aprovou, por 42 votos a 21, o projeto de resolução para revogar a prisão do presidente da Casa.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liberdade provisória a Bacellar em 9 de dezembro.
Ele foi preso novamente em 27 de março, em Teresópolis (RJ), por ordem do ministro Alexandre de Moraes, no âmbito de apurações sobre vazamento de informações de operações policiais no Rio.
A prisão foi mantida após audiência de custódia realizada em 28 de março. Bacellar foi encaminhado ao Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo de Gericinó, em Bangu.
5ª fase da Operação Unha e Carne
A operação aprofunda a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo “capo” da nova cúpula do jogo do bicho e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do estado do Rio.
Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, os policiais federais cumprem cumprem três mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão expedidos em endereços vinculados aos investigados nas cidades do Rio de Janeiro e São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
Além disso, foi determinado o sequestro de bens e valores até o montante de cerca de 22 milhões de reais.
Segundo a PF, a investigação teve início “após a apreensão de listas em poder do conhecido contraventor [Adilson Oliveira Coutinho Filho] indicarem a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais”.
“As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro”, acrescentou.
“As investigações prosseguem com a análise do material apreendido, a identificação do fluxo financeiro investigado e a apuração da participação de eventuais beneficiários, intermediários e operadores do esquema”, continuou.
A ação se insere no contexto da decisão do STF no âmbito do julgamento da ADPF 635/RJ (ADPF das Favelas) que, dentre outras providências, determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos.
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