PF aponta interesse de Vorcaro em emendas sobre mercado de carbono
Propostas do senador Efraim Filho foram enviadas ao banqueiro e classificadas como “fundamentais” por interlocutor
Um relatório da Polícia Federal (PF) apontou que o banqueiro Daniel Vorcaro (foto) demonstrou interesse em três emendas apresentadas pelo senador Efraim Filho (PL-PB) ao projeto que regulamentou o mercado de carbono no Brasil.
As propostas foram enviadas ao então controlador do Banco Master por um interlocutor, que as classificou como “fundamentais” para o texto em discussão no Congresso.
A conversa, datada de 22 de outubro de 2023, foi encontrada no celular de Vorcaro e integra o inquérito que apura uma possível atuação do senador Jaques Wagner (PT-BA) em favor do Banco Master no Congresso.
O conteúdo se tornou público após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo do caso.
Efraim afirmou em nota que as emendas tinham caráter técnico e negou qualquer contato com Vorcaro ou com o empresário mencionado no relatório.
“São de minha autoria (as emendas) e foram apresentadas mais de um mês antes da conversa entre os empresários”, disse.
O senador não é investigado, e a PF não apontou indícios de crime atribuídos a ele.
O relatório também não indica que Efraim tenha enviado as propostas diretamente a Vorcaro ou que o banqueiro tenha participado da elaboração das emendas.
De que tratam as propostas?
As emendas buscavam ampliar as possibilidades de negociação e geração de créditos de carbono.
Entre as mudanças propostas estavam a equiparação desses créditos a valores mobiliários, a ampliação do conceito de ativos ambientais e a retirada de restrições para a oferta voluntária de créditos.
Segundo a PF, as conversas mostram que Vorcaro e seu então sócio Augusto Lima acompanhavam projetos relacionados ao mercado de carbono.
O banqueiro tinha investimentos no setor e discutia com o interlocutor o potencial de geração de créditos de uma propriedade no Amazonas, mencionada nas mensagens como “nosso projeto”.
As propostas não foram incorporadas ao texto final da legislação, sancionada por Lula no fim de 2024.
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