Petistas acusam Mendonça de proteger Flávio Bolsonaro após afastamento de Andrei
Parlamentares criticaram decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal contra o diretor-geral da Polícia Federal (PF)
Parlamentares governistas reagiram nesta terça-feira, 8, à decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
Os deputados federais Rogério Correia (PT-MG) e Lindbergh Farias (PT-RJ) acusaram o magistrado de proteger o senador e candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no âmbito das investigações sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master. Já um líder partidário governista que falou com a reportagem sob reserva classificou a medida como “bem gravosa” e defendeu maior transparência sobre o caso.
“Nitidamente é uma decisão de intervenção na Polícia Federal, para tentar barrar a delação que o Antônio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, já fez e já foi aceita pela PF e PGR. Ele [Mendonça] quer criar uma crise para que isso não venha à tona. Essa delação fala das malas de dinheiro que foram para o fundo Havengate e de todo o procedimento que ele pagava o fundo”, disse Correia a O Antagonista.
“Ou seja, isso escancara nitidamente qual foi o papel de Flávio Bolsonaro, da família Bolsonaro e do Vorcaro, que não era para financiamento de filme, mas sim lavagem de dinheiro e, como eu tenho dito, propina em agradecimento ou em pagamento, melhor dizendo, ao que a Rioprevidência, por exemplo, colocou no Banco Master, 3,7 bilhões de reais”.
O petista prosseguiu: “Isso está tudo escancarado na delação, e o Mendonça não quer abrir isso, para proteger o Flávio Bolsonaro. É isso que ele está fazendo, gerando crise para proteção do bolsonarismo”.
Lindbergh Farias atacou Mendonça, chamando o magistrado de “fanático bolsonarista“. O petista se manifestou por meio de um vídeo publicado no X.
“Ministro André Mendonça é um fanático bolsonarista que está inebriado, se sentindo o máximo por ter sido citado pelo Nikolas [Ferreira] e aplaudido por aquele gado bolsonarista na Avenida Paulista. Essa decisão dele, de afastar o diretor-geral da Polícia Federal é totalmente irresponsável”, declarou.
“Não dá pra ficar calado. Porque o André Mendonça sabe que se fosse no governo do Bolsonaro, o Vorcaro não estaria preso. Foi a Polícia Federal, dirigida pelo Andrei, que abriu o inquérito que prendeu o Vorcaro. Vorcaro é uma criação do governo do Bolsonaro. Ele cresceu, ele se expandiu no governo do Bolsonaro. Agora, ministro André Mendonça, desculpa, vossa excelência tem que se explicar à nação. Por que você está protegendo o Flávio Bolsonaro?”, pontuou.
“Cadê? Está nas suas mãos há mais de 100 dias o caso do filme do ‘Dark Horse, aquela gravação do Flávio pedindo 134 milhões de reais para o Vorcaro. Aí vocês agora falam: ‘Vorcaro e Alexandre Moraes’. Tudo bem, todo mundo tem que ser investigado. Se tiver ministro do Supremo envolvido, tem que pagar. Deputado, senador. Agora, Flávio Bolsonaro, você não vai proteger”.
Para Lindbergh, a decisão de Mendonça se trata ainda de uma intromissão no processo eleitoral: “Nós não vamos admitir uma intromissão como essa no processo eleitoral. Seja isento, levante o sigilo de tudo. O que a gente quer, no caso do Banco Master, é que tudo seja levantado, todo o sigilo. Quem errou aí vai ter que pagar. Agora, a gente sabe que o Flávio está metido em tudo isso e nós não vamos deixar você, na véspera das eleições, a três semanas do processo eleitoral, interferir no processo para proteger esse Flávio”.
“Tempo não vai solucionar”
Para o líder governista ouvido pela reportagem, o tempo não será suficiente para dissipar a crise provocada pela sucessão de episódios envolvendo o STF.
“Eu acho que [a decisão do Mendonça] é mais um capítulo de uma história muito complexa. Agora tem um recurso da Advocacia-Geral da União. É um problema que por si só já é grave, ainda mais estando a apenas um mês da eleição. Certamente isso vai ter desdobramentos. Eu acho uma decisão bem gravosa. E não sei se tem precedentes“, disse o parlamentar.
“E é um enredo que tem que ser visto por completo. Esses capítulos diários aí estão complicando a situação. Então, eu acho que, ao contrário do que muita gente imaginava, o tempo não vai solucionar. Eu acho que o Supremo tem que realmente fazer uma sessão aberta, pública, se debruçar sobre todos esses casos, se for o caso, abrir todos os sigilos, de todos os envolvidos, para que a população não vote enganada. Ela tome pelo menos ciência dos fatos”, pontuou.
A decisão de Mendonça
A decisão contra Andrei ocorreu após a produção do relatório apócrifo que embasou o pedido de investigação contra Mendonça feito na semana passada pelo seu colega Alexandre de Moraes. Moraes acusou Mendonça de ato de improbidade administrativa e crimes de responsabilidade e de abuso de autoridade a partir desse documento.
No despacho, Mendonça também determina que a Corregedoria da Polícia Federal abra procedimentos de natureza penal e administrativo-disciplinar para apurar as circunstâncias em que os documentos foram produzidos, quem determinou sua elaboração, quem os redigiu e se existem outros relatórios com finalidade semelhante.
Além disso, o ministro determinou a suspensão da produção, elaboração ou compartilhamento, mesmo internamente, de qualquer relatório de inteligência destinado a analisar atos praticados no exercício das funções jurisdicional, de advocacia pública ou de polícia judiciária.
O ministro Gilmar Mendes pediu vista nesta terça-feira no julgamento que analisa o referendo da decisão de Mendonça. O caso estava sob análise da Segunda Turma do STF.
Antes do pedido de vista, dois ministros haviam se manifestado a favor da decisão de Mendonça: Nunes Marques e Luiz Fux. Assim, faltaria apenas a manifestação do ministro Dias Toffoli, que também integra o colegiado.
Gilmar Mendes pretende divulgar uma nota sobre a crise institucional do Supremo e solicitar que todo o imbróglio seja resolvido no plenário da Corte.
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