Pedido de vista interrompe julgamento de Crivella no TRE-RJ
Caso 'QG da Propina' pode impactar a candidatura do ex-prefeito do Rio ao Senado
O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), desembargador Cláudio de Mello Tavares, pediu vista do julgamento contra o ex-prefeito do Rio e deputado Marcelo Crivella (Republicanos) no caso conhecido como “QG da Propina”. O placar está empatado em três a três.
O empate foi formado após o desembargador Paulo Cesar Salomão Filho acompanhar a divergência aberta por Guilherme Calmon, seguida por Sylvia Hausen, pela ratificação do recebimento da denúncia contra Crivella.
Com isso, ficaram três votos pelo prosseguimento da ação penal e três pela rejeição da denúncia. Votaram pela rejeição do recebimento da denúncia a relatora, desembargadora Manoela Dourado, além dos desembargadores Fernando Cerqueira e Bruno Bodart.
Crivella, que é candidato ao Senado, aguarda a definição em meio ao início do período eleitoral, marcado para domingo, 16.
O ex-prefeito aparece em segundo lugar nas intenções de voto, atrás da deputada Benedita da Silva (PT).
André Mendonça
O julgamento do “QG da Propina” pode definir o futuro eleitoral do ex-prefeito do Rio, após o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspender, em julho, a inelegibilidade de Crivella.
Na ocasião, Mendonça destacou que havia dois votos no TRE-RJ pela rejeição da denúncia.
O entendimento do magistrado anulou uma decisão do TRE-RJ que condenou Crivella por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2020. O ex-prefeito estava inelegível até 2028.
O cenário, porém, mudou: o placar passou de 2 a 0 para 3 a 3 após o voto de Paulo Salomão pelo recebimento da denúncia.
‘QG da Propina’
O esquema, conhecido como “QG da Propina”, envolvia empresários e fraudes em licitações com o objetivo de garantir financiamento ilegal para sua campanha à reeleição.
De acordo com o relator do processo, desembargador Rafael Estrela, Crivella utilizou a máquina pública para movimentar cerca de R$ 50 milhões de forma ilícita, favorecendo empresários em troca de apoio político.
O esquema foi desvendado pela Operação Hades, que também levou à prisão de Crivella em dezembro de 2020, quando ainda era prefeito. Rafael Alves, operador do esquema, também foi condenado à inelegibilidade até 2028 e multado no mesmo valor. Alves negociava, de uma sala na Riotur, facilidades em contratos e pagamentos da prefeitura para empresários, em troca de propinas.
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