PEC da impunidade prevê aval do Congresso até para abertura de inquéritos
Pelas regras atuais, Supremo não precisa de autorização do Congresso para determinar investigações sobre congressistas
A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que muda as regras para o foro privilegiado deve prever também a necessidade de aval do Congresso Nacional para a abertura de inquérito a respeito da conduta de deputados e senadores.
Como mostramos, a proposta que acaba com o foro privilegiado foi inclusa no chamado “Pacote da Paz”, idealizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ, foto) como resposta à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. O texto entrou também nas negociações para acabar com o motim bolsonarista e a ocupação da Mesa Diretora da Câmara na semana passada.
Pelas regras atuais, o Supremo Tribunal Federal (STF) não precisa pedir autorização do Congresso para autorizar investigações envolvendo deputados e senadores. Agora, a ideia, conforme O Antagonista apurou, é que essas investigações somente poderiam ser abertas com a autorização da Casa parlamentar relacionada ao congressista. Ou seja: a Câmara autoriza investigações sobre os deputados; o Senado, em relação aos senadores.
Na prática, caso isso de fato venha ser confirmado, há uma tendência que nenhuma investigação seja autorizada pelo Congresso.
A versão ‘light’ da PEC da Impunidade
Agora, alguns líderes do Centrão confidenciaram a este portal que, diante de uma eventual resistência popular, esse trecho pode ser suavizado. Assim, uma versão mais amena da PEC – que também está em estudo – pode prever a autorização do Congresso apenas para a realização de operações policiais – como busca e apreensões dentro e fora do parlamento – e prisão e deputados. Atualmente, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem o poder de determinar a prisão de deputados e senadores, mas cabe ao Congresso ratificar ou não as medidas restritivas.
A PEC que muda o foro privilegiado também deve determinar que processos envolvendo deputados e senadores comecem a tramitar nos Tribunais Regionais Federais (TRFs) ou no Superior Tribunal de Justiça (STJ), como já acontece com os governadores.
Como registramos, esse pacote de medidas foi articulado pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) sem o aval do atual presidente da Casa, Hugo Motta.
Os deputados bolsonaristas acreditam que, sem o foro privilegiado, seria possível tirar os processos envolvendo Jair Bolsonaro do Supremo Tribunal Federal. Apesar disso, integrantes da Corte apontam que a mudança no foro não impactaria os processos do ex-presidente, porque eles foram instaurados com base na Lei de Segurança Nacional e a partir de interpretações do regimento interno do próprio STF.
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Comentários (1)
Annie
11.08.2025 10:49Como sempre a raça política se movimentando para não serem presos🤑🤮