EUA investigarão investimentos chineses no setor agrícola brasileiro
A investigação integra a proposta do Intelligence Authorization Act para o exercício fiscal de 2026, que se inicia em 1º de outubro de 2025 nos Estados Unidos
O governo dos Estados Unidos manifestou interesse em realizar uma investigação detalhada sobre a influência estratégica da China no setor agrícola do Brasil.
O foco recai sobre os potenciais impactos de investimentos ou controle chinês na cadeia de suprimentos, no mercado global e na segurança alimentar.
A informação foi divulgada pelo jornal Valor Econômico e integra a proposta do Intelligence Authorization Act para o exercício fiscal de 2026, que se inicia em 1º de outubro de 2025 nos Estados Unidos.
Esse projeto de lei, que é revisado anualmente, estabelece as diretrizes orçamentárias para as agências de inteligência americanas, incluindo a CIA e a NSA.
Com um total de 280 páginas, o documento menciona o Brasil na seção 514 do subtítulo B, que é especificamente dedicado à China.
A inclusão do Brasil em um projeto de lei orçamentária voltado para questões de inteligência representa uma novidade.
Apesar das revelações do site Wikileaks sobre espionagem da NSA durante o governo Dilma Rousseff em 2013, esta é a primeira vez que o país é mencionado em um contexto legislativo desse tipo.
A proposta foi introduzida pelo senador republicano Tom Cotton, representante do Arkansas e aliado do presidente Donald Trump, no dia 17 de março. No mesmo dia, o texto foi aprovado pela Comissão de Inteligência do Senado e encaminhado para votação no plenário.
Após sua análise pelos senadores, a proposta seguirá para a Câmara dos Representantes antes de ser submetida à sanção presidencial.
A expectativa é que todo esse processo legislativo seja concluído em menos de dois meses, permitindo que a nova legislação entre em vigor antes da data limite mencionada.
O relatório
Conforme estipulado na proposta, a diretora nacional de inteligência, Tulsi Gabbard, terá um prazo de até 60 dias após a promulgação da lei para avaliar e elaborar um relatório acerca da extensão dos investimentos chineses no setor agrícola brasileiro.
Essa avaliação será realizada em consulta com o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Agricultura, Brooke Rollins.
O relatório deve incluir diversas considerações sobre os impactos dos investimentos chineses. Além disso, Gabbard terá um período adicional de 90 dias após a promulgação da legislação para apresentar um relatório detalhado às comissões de inteligência do Congresso.
Embora o documento seja exigido em formato não confidencial, poderá conter anexos sigilosos.
O projeto ainda pode sofrer modificações durante o processo legislativo. A aprovação inicial na Comissão de Inteligência do Senado — composta por nove republicanos e oito democratas — sugere, porém, uma boa probabilidade de que a proposta seja aprovada pelo plenário sem grandes alterações.
Além do Brasil e da China, o projeto também menciona outros países como Rússia, Coreia do Norte, Irã, Venezuela e Cuba.
A China tem sido o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009. Em novembro passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu Xi Jinping no Palácio da Alvorada para a assinatura de 37 acordos de cooperação que incluíam a abertura de quatro mercados agropecuários brasileiros ao comércio chinês.
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Comentários (1)
Marian
11.08.2025 11:05É preocupante a expansão Chinesa no país.