Onça-pintada presa em canal de usina elétrica mobiliza equipe de resgate que diz: “Meus deus do céu, olha o tamanho da bruta”
A onça-pintada é classificada como Quase Ameaçada (NT) na Lista Vermelha da IUCN, graças sobretudo às populações ainda robustas na Amazônia.
O resgate de uma onça-pintada em um canal de usina hidrelétrica em Juscimeira (MT), na última 5°feira, 19, reuniu bombeiros, Polícia Ambiental e SEMA-MT em uma operação noturna e arriscada.
O animal, exausto, nadava sem conseguir sair das paredes íngremes, ameaçado de afogamento e colocando em risco também os profissionais, o que ilustra o conflito crescente entre grandes predadores e grandes obras de infraestrutura no Pantanal e em outras regiões do Brasil.
Qual é o status de conservação da onça-pintada no Brasil e no mundo
A onça-pintada (Panthera onca) é classificada como Quase Ameaçada (NT) na Lista Vermelha da IUCN, graças sobretudo às populações ainda robustas na Amazônia.
No Brasil, porém, o ICMBio a classifica como Vulnerável (VU), refletindo a perda intensa de habitat em vários biomas e o isolamento de subpopulações.
Amazônia e Pantanal ainda concentram núcleos relativamente estáveis, mas Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica apresentam declínios rápidos.
Em áreas atlânticas, restam poucos centenas de indivíduos em fragmentos florestais, com forte risco de extinção local em alguns estados, o que torna as ações de conservação urgentes.
Uma onça-pintada foi resgatada na quinta-feira (19) após ser encontrada dentro de um canal de uma usina elétrica em Juscimeira, no Mato Grosso. O socorro mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar Ambiental e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato… pic.twitter.com/wuCABOfObv
— SBT News (@sbtnews) March 20, 2026
Quais são as principais ameaças à onça-pintada no território brasileiro
O desmatamento para pastagens e lavouras continua sendo uma das principais pressões, reduzindo e fragmentando o habitat da espécie.
A formação de pequenos fragmentos desconectados dificulta o deslocamento, aumenta cruzamentos entre parentes e reduz a variabilidade genética das populações.
Outra ameaça recorrente é a caça retaliatória após ataques a rebanhos, somada a atropelamentos em rodovias e ao tráfico ilegal de partes do corpo, apesar da proteção legal pela CITES e pela Lei de Crimes Ambientais.
Esses fatores, combinados, intensificam o risco de declínio populacional em várias regiões.
Registro espetacular de uma Onça-pintada em uma lagoa no Pantanal 🐆 pic.twitter.com/4X7Qmz4oVA
— Astronomiaum (@astronomiaum) March 19, 2026
Como resgates em hidrelétricas se relacionam com a conservação da espécie
O caso de Juscimeira exemplifica como canais, reservatórios e estradas de acesso de hidrelétricas alteram rotas de deslocamento da onça-pintada, criando barreiras físicas e armadilhas estruturais.
Grandes felinos que antes circulavam por planícies alagáveis e matas de galeria agora enfrentam riscos adicionais, como quedas em canais profundos.
Operações de resgate exigem equipes treinadas, uso preciso de sedação, monitoramento de sinais vitais e remoção com barcos, cordas e guinchos.
Cada intervenção envolve alto risco para o animal e para os profissionais, mas também gera informação técnica importante para aprimorar protocolos de manejo e prevenção de acidentes futuros.
Leia também: Jazida subterrânea com mais de 1.000 toneladas de ouro é descoberta por geólogos
Como corredores ecológicos e ações integradas ajudam a reduzir conflitos
Especialistas apontam que corredores ecológicos e planejamento territorial são estratégias centrais para diminuir conflitos entre infraestrutura, pecuária e fauna de grande porte.
Ao conectar fragmentos de vegetação, esses corredores oferecem rotas mais seguras e reduzem a necessidade de travessia por áreas perigosas, como canais e rodovias.
Diversas iniciativas já são adotadas no Brasil para mitigar impactos e promover convivência entre onças, produção agropecuária e empreendimentos energéticos, com destaque para ações de monitoramento, manejo e educação ambiental:
Quais são as perspectivas para a onça-pintada nos principais biomas brasileiros
O futuro da onça-pintada depende de como o país conciliará expansão agropecuária e energética com conservação.
No Pantanal, onde a paisagem ainda é mais contínua, episódios de resgate funcionam como alerta para incorporar rotas da fauna no planejamento de usinas e outras obras.
Em biomas mais fragmentados, como Cerrado e Mata Atlântica, a prioridade é manter e restaurar áreas suficientes para populações viáveis.
O avanço de tecnologias de monitoramento, somado à atuação conjunta de órgãos ambientais, forças de segurança, universidades e empresas, mostra que a espécie se tornou elemento central nos debates sobre ordenamento territorial e gestão responsável do ambiente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)