MST ocupa prédios do Incra e cobra o governo Lula
"Após quase três anos da administração Lula, a reforma agrária permanece estagnada e as famílias acampadas e assentadas questionam: Lula, onde está a reforma agrária?", escreveram os líderes do movimento em carta aberta
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) está intensificando sua mobilização em prol da reforma agrária, vinculando suas reivindicações à campanha de “soberania nacional” promovida pelo governo federal.
Essa relação surge após a implementação do “tarifaço” imposto pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afetou os produtos brasileiros e, segundo o movimento, resultou em um aumento da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na manhã desta quarta-feira, 23 de julho, aproximadamente 300 manifestantes do MST se concentraram nas proximidades de um edifício público no bairro de Santa Cecília, na capital paulista, antes da abertura do expediente.
De acordo com Márcio José, coordenador do MST em São Paulo, a intenção é que a ação se repita em outras 21 sedes de órgãos públicos.
O movimento critica a lentidão da reforma agrária durante o atual governo e responsabiliza o ministro Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, por não cumprir promessas feitas:
“Nos últimos três anos sob a gestão de Lula, as iniciativas referentes à reforma agrária não avançaram. Temos assistido a muitas justificativas e pouco resultado efetivo. Por exemplo, em São Paulo não houve novos assentamentos; apenas foi regularizada a situação de algumas famílias já acampadas”, destacou Márcio José.
Acampamento “Marielle Vive!”
Um dos pontos críticos levantados pelo movimento é a iminente reintegração de posse do acampamento “Marielle Vive!”, localizado em uma fazenda de 130 hectares no município de Valinhos.
Esta propriedade pertence a uma empresa imobiliária com planos de desenvolver condomínios. O acampamento foi estabelecido cerca de um mês após o assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018.
O MST solicita ao governo que intervenha na compra do terreno ou disponibilize outra área para os acampados, como uma fazenda de 400 hectares pertencente ao Exército em Campinas, que já está sob críticas há duas décadas.
Carta aberta
Em uma carta aberta divulgada esta semana, o MST expressou suas preocupações diretamente ao governo:
“Após quase três anos da administração Lula, a reforma agrária permanece estagnada e as famílias acampadas e assentadas questionam: Lula, onde está a reforma agrária?”, escreveram os líderes do movimento no documento.
A morosidade nas ações do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) tem gerado desânimo entre as comunidades e potencializado conflitos sociais.
Apesar das críticas do MST, o ministério respondeu às alegações afirmando que “a reforma agrária no Brasil recuperou o ritmo observado nos dois primeiros mandatos do presidente Lula”.
Em nota oficial, o governo destacou que foram oferecidos 13.900 novos lotes para assentamentos até 2025, com um investimento de aproximadamente R$ 1,1 bilhão na aquisição das terras.
As metas incluem criar 30 mil novos lotes ainda este ano e chegar a 60 mil até o final de 2026, o que representaria quase metade das famílias atualmente acampadas em todo o país segundo estimativas governamentais.
Leia também: Maduro anuncia entrega de 180 mil hectares ao MST
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Marcia Elizabeth Brunetti
23.07.2025 14:33Papai Lulis anda muito ocupado com a Janja e esqueceu da turminha do MST. Que triste. Kkkkkk